Três Mortos em Confrontos na Concessão da Mineradora Gemfields/MRM em Montepuez

Montepuez — Três pessoas morreram esta quarta-feira (15) durante confrontos ocorridos nas proximidades da concessão da mineradora Gemfields/MRM, no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado. Entre as vítimas estão um garimpeiro e dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM). O episódio, segundo testemunhas, foi resultado de uma nova onda de tensão e violência entre as forças de segurança que protegem a mineradora e as comunidades locais.

De acordo com relatos colhidos pelo Moz24h, o incidente teve início por volta das 11 horas da manhã, quando um jovem garimpeiro da aldeia Ntseue foi mortalmente baleado por elementos das Forças Armadas e da Unidade de Intervenção Rápida (UIR). Revoltados, os moradores transportaram o corpo da vítima até aos escritórios da mineradora, em sinal de protesto contra a alegada violência recorrente praticada contra os garimpeiros.

No trajeto, o grupo encontrou dois polícias de serviço na cancela de entrada da mina. Segundo testemunhas, a tentativa dos agentes de impedir a passagem da multidão enfurecida resultou em agressões fatais. A população, num ato de fúria, matou os dois polícias, apoderou-se das suas armas e disparou contra eles. Posteriormente, as armas foram entregues ao chefe da aldeia de Ntseue, enquanto a polícia reforçou a presença na zona e recolheu os corpos para o hospital distrital de Montepuez.

“A situação está muito tensa desde as 11 horas. A população está cansada de ver jovens baleados, espancados e enterrados sem justiça”, relatou um morador que presenciou os acontecimentos.

O chefe da aldeia de Muaja, Tomé Patrício, confirmou ao Moz24h que o conflito teve origem numa operação policial de madrugada. Segundo ele, agentes armados entraram na comunidade alegando procurar estrangeiros, o que gerou revolta entre os moradores.

“A polícia começou a disparar e matou um jovem da aldeia chamado Juma Herculano, de 25 anos. Depois disso, fugiram na viatura que tinham escondido no mato. A população, revoltada, matou os polícias. Agora estamos à espera do comandante distrital, que prometeu enviar uma viatura para levar o corpo do nosso jovem para o enterro”, contou Patrício.

O líder comunitário denunciou ainda que “a violência na região tem aumentado” e que os seguranças da mineradora “continuam a matar pessoas no mato”, acusando a empresa e as autoridades de ignorarem as constantes queixas da população.

O caso ocorre num contexto de tensão prolongada entre as comunidades locais e as forças de segurança da mineradora, num distrito marcado por denúncias de abusos, detenções arbitrárias e mortes de garimpeiros artesanais que operam nas zonas próximas às minas de rubis.

Até o momento, nem a mineradora Gemfields/MRM nem as autoridades distritais de Montepuez emitiram um comunicado oficial sobre o incidente.

Fonte: Moz24h

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