Fundação Elvino Dias Será Criada em Homenagem ao “Advogado do Povo” Assassinado em Maputo

Maputo — O ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane anunciou que até dezembro deste ano será oficialmente lançada a Fundação Elvino Dias, uma instituição que homenageará o advogado moçambicano assassinado há exatamente um ano, em 18 de outubro de 2024, na capital do país. Elvino Dias, conhecido como “advogado do povo”, foi morto a tiro ao lado de Paulo Guambe, seu colega e mandatário do partido Podemos, que apoiou Mondlane nas últimas eleições presidenciais.

Em entrevista à agência Lusa, Mondlane explicou que a nova fundação será dedicada à promoção da justiça e dos direitos dos cidadãos moçambicanos. “Será uma fundação do povo. O Elvino era o advogado do povo, e esta iniciativa será a continuidade do seu trabalho em defesa dos mais vulneráveis”, declarou.

Segundo Mondlane, o processo de criação da fundação está em fase final e deverá ser publicado em Boletim da República ainda este ano. O político, que também lidera o partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), aproveitou a ocasião para renovar as críticas ao sistema de justiça moçambicano, afirmando que há um “silêncio ensurdecedor” em torno do duplo homicídio.

“Com o regime e o sistema judiciário que temos, será muito difícil alcançarmos justiça. Por isso, pretendo lançar a ideia de um protesto nacional contra esses crimes não esclarecidos”, afirmou Venâncio Mondlane.

O caso que vitimou Elvino Dias e Paulo Guambe ocorreu dias após as eleições gerais de 9 de outubro de 2024, marcadas por denúncias de fraude e repressão policial. O crime aconteceu na movimentada Avenida Joaquim Chissano, em Maputo, onde, segundo Mondlane, existem câmaras de vigilância públicas e privadas que poderiam ajudar a identificar os autores, mas que “nunca foram utilizadas na investigação”.

Na época, o assassinato gerou manifestações violentas em várias cidades do país, que foram duramente reprimidas pelas forças de segurança. De acordo com a plataforma Decide, pelo menos 388 pessoas foram mortas e mais de 800 ficaram feridas durante cinco meses de protestos pós-eleitorais, a maioria por disparos de armas de fogo.

O Conselho Constitucional proclamou oficialmente Daniel Chapo como vencedor das eleições, com 65,17% dos votos, seguido de Venâncio Mondlane, com 24%, mas o líder da Anamola nunca reconheceu os resultados.

Desde então, Mondlane tem insistido no apelo à justiça e ao diálogo. Em março deste ano, reuniu-se com Daniel Chapo pela primeira vez desde as eleições. Após o encontro, apelou publicamente ao fim da violência política, e, desde então, não se registaram novos episódios de agitação social relacionados ao processo eleitoral.

A futura Fundação Elvino Dias deverá ser apresentada em cerimônia pública, com a presença de familiares, juristas e ativistas, simbolizando o compromisso de continuar a luta por um Moçambique mais justo e livre — causa pela qual o advogado ficou conhecido até os seus últimos dias.

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