Samia

União Africana rende com as eleições da Tanzânia e denuncia graves irregularidades

A União Africana (UA) divulgou um relatório contundente sobre as eleições gerais realizadas na Tanzânia, afirmando que o processo “não esteve em conformidade com os princípios, quadros normativos e obrigações internacionais” que regem eleições democráticas.

De acordo com o documento, o ambiente político e social antes, durante e após a votação foi considerado inadequado para a realização de um pleito pacífico e transparente, comprometendo a credibilidade dos resultados e a aceitação popular dos mesmos.

O relatório destaca diversas falhas graves observadas pela missão da UA no terreno, entre as quais:

  • Eleitores puderam votar sem verificação de identidade, e em alguns casos, receberam múltiplas cédulas para votar, mesmo sob a observação de fiscais eleitorais.

  • Em várias assembleias de voto, o número de votos contados não coincidia com o número de eleitores registados.

  • Foram identificados casos de enchimento de urnas, com eleitores a receber em várias cédulas para votar repetidamente.

  • Durante o processo de contagem, observadores da UA foram forçados a abandonar as mesas de votação antes da conclusão do apuramento. Em outras situações, só lhes foi permitido permanecer por cinco minutos em cada local.

  • Em alguns centros, apenas a urna presidencial estava presente, sem a presença de representantes de partidos políticos — apenas com funcionários da comissão eleitoral.

  • Um apagão total da internet durante o período intermediário da votação foi descrito como um dos fatores que comprometeram severamente a integridade do processo eleitoral.

A União Africana concluiu que as irregularidades registadas violam os princípios fundamentais de transparência, igualdade e justiça eleitoral, recomendando uma revisão profunda do sistema eleitoral tanzaniano e investigações independentes sobre as denúncias apresentadas.

O relatório da UA junta-se a outros comunicados internacionais que questionam a legitimidade das eleições, aumentando a pressão diplomática sobre o governo de Samia Suluhu Hassan, reeleita em meio a protestos e alegações de fraude generalizada.

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