Pastor David Tonelli Mainarte foi condenado a um ano de reclusão pelo crime de estelionato religioso, após investigação que apontou promessas de curas milagrosas mediante pagamento. A decisão é da 1ª Vara Criminal de Dourados, em Mato Grosso do Sul, e teve a pena convertida em medida restritiva de direitos pelo juiz Marcelo da Silva Cassavara.
De acordo com a denúncia, o líder religioso convencia fiéis a pagar por supostos tratamentos espirituais, garantindo resultados extraordinários, como “dentes que nasceriam novamente”, “reconstrução de seios”, “eliminação de cicatrizes”, além da promessa de que paralíticos voltariam a andar e cegos recuperariam a visão. Vídeos publicados nas redes sociais foram anexados ao processo e usados como prova do esquema.
Na sentença, o magistrado destaca que, em um Estado laico, a fé é respeitada, mas a lei deve atuar quando há promessa de algo não cumprido em troca de vantagem financeira. O caso citado como base envolve uma fiel que viajou a Campo Grande buscando a cura prometida e não obteve qualquer melhora. Para o juiz, há provas de que o pastor tinha plena consciência de que suas promessas eram falsas.
O religioso atuava na Igreja Quadrangular, em São Paulo, e na Missão Céu na Terra, em Campo Grande. Testemunhos apresentados no processo afirmam que as sessões de cura nunca resultaram em alterações clínicas — nem na vítima principal, nem em familiares que também buscaram atendimento. Em um dos depoimentos, a mulher relata que, após a frustração, o pastor afirmou que o milagre não ocorreu por falta de oração dela própria.
A Justiça concluiu que houve intenção de obter benefício financeiro por meio de falsas promessas espirituais. Para o juiz, o ato configurou vantagem ilícita e prejuízo às vítimas, caracterizando o estelionato religioso previsto em lei.
