O paradoxo da saúde: Por que os nossos dirigentes não confiam nos hospitais que eles próprios gerem?

Moçambique vive uma contradição gritante no setor da saúde que já não passa despercebida. Tornou-se um hábito recorrente que as elites governamentais e figuras de destaque na administração pública procurem assistência médica em clínicas de luxo no exterior, enquanto o sistema nacional de saúde (SNS) continua a degradar-se.

Desconfiança que vem de cima

Esta tendência de buscar cura fora das fronteiras é mais do que uma preferência: é um atestado público de desconfiança. Quando os próprios arquitetos e gestores das políticas públicas de saúde evitam as unidades que eles próprios administram, o sinal enviado à sociedade é devastador.

Duas realidades, um só país

O contraste é nítido e doloroso:

  • A elite: Dispõe de recursos públicos para voar em busca de tecnologias de ponta e especialistas internacionais.
  • O cidadão comum: Resta-lhe a realidade de hospitais com rutura de stock de medicamentos essenciais, falta de equipamentos básicos e filas intermináveis onde o atendimento muitas vezes chega tarde demais.

A liderança pelo exemplo

A verdadeira governação exige empatia e a partilha do quotidiano da população. Quando quem decide as verbas da saúde não utiliza as macas dos hospitais públicos, a urgência em reformar o sistema parece diluir-se.

Resta a questão fundamental: como podemos esperar a reabilitação de um sistema de saúde que os seus próprios líderes rejeitam, mas ao qual o povo está condenado a depender?

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