Cabo Delgado: Empresários de Palma acusam TotalEnergies de ignorar desenvolvimento do distrito

Empresários do distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, acusam a empresa TotalEnergies de falta de interesse no desenvolvimento económico local, devido às restrições de acesso ao acampamento da península de Afungi, onde decorrem as operações do projecto de gás na Área 1 da bacia do Rovuma.

O Conselho Empresarial de Palma afirma que já não acredita na reabertura dos portões do acampamento. Em declarações à Zumbo FM Notícias, na sexta-feira, 3 de abril de 2026, o presidente do Conselho Empresarial de Palma, Chemsi Issa, explicou que, apesar de vários pedidos formais e reuniões de diálogo realizados com a empresa, até agora não houve qualquer resposta concreta sobre a possível reabertura ou flexibilização do acesso ao local.

Segundo o responsável, esta situação está a prejudicar gravemente os empresários locais, uma vez que as restrições de circulação impedem trabalhadores e outros agentes económicos de frequentarem a vila de Palma, o que reduziu drasticamente a atividade comercial.

O Conselho Empresarial denuncia que vários negócios, principalmente no setor hoteleiro, estão a enfrentar prejuízos elevados devido à falta de clientes, tendo alguns estabelecimentos optado por encerrar temporariamente enquanto aguardam uma normalização da situação.

De acordo com Chemsi Issa, após o encerramento dos portões do acampamento, o empresariado local ficou praticamente sem atividade, com a economia da vila quase paralisada.

Os empresários acusam também a TotalEnergies de concentrar todas as atividades e serviços dentro do acampamento de Afungi, o que, na opinião deles, demonstra falta de interesse no crescimento da vila e no fortalecimento da economia local.

Acrescentam que não faz sentido Palma, sendo sede distrital, estar economicamente parada enquanto os trabalhadores do projecto não têm autorização para visitar a vila, nem mesmo durante os fins de semana ou períodos de descanso.

O Conselho Empresarial de Palma defende que deve existir uma melhor articulação entre o setor privado, o Governo e a TotalEnergies, baseada num diálogo permanente e transparente.

Entre as propostas apresentadas pelos empresários está a autorização para que os trabalhadores do projecto possam deslocar-se à vila de Palma durante os fins de semana, o que poderia incentivar o consumo local, aumentar a ocupação hoteleira e dinamizar a economia do distrito.

Os empresários defendem que permitir a circulação dos trabalhadores ajudaria a revitalizar a economia local, através do consumo de produtos locais, utilização de hotéis e interação com os comerciantes da vila.

Embora reconheçam que a região enfrentou problemas de segurança no passado, os empresários afirmam que a situação melhorou significativamente, com o regresso da população e a retoma gradual das atividades comerciais.

Mesmo assim, questionam a continuidade das restrições, perguntando por que razão a população já regressou e permanece em Palma, enquanto os trabalhadores continuam confinados por razões de segurança.

O Conselho Empresarial de Palma apela, por fim, a um esforço conjunto a nível provincial e nacional para restaurar a confiança, reativar a economia local e garantir que os benefícios do projecto de gás também cheguem à população e aos empresários da vila.

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