A sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde (SNS) em Moçambique enfrenta um momento crítico, com os serviços de saúde básica cada vez mais dependentes de donativos e recursos internacionais.
Um estudo recente do Centro de Integridade Pública (CIP) revelou que a compra de medicamentos e produtos essenciais para o setor público contou com financiamento externo em níveis que variaram entre 54% e 72% nos anos de 2023 e 2024.
Segundo o relatório, essa elevada dependência, somada aos cortes sucessivos no Orçamento do Estado, tem comprometido a capacidade das unidades de saúde de responder às necessidades da população. A redução do apoio internacional, aliada ao limitado espaço fiscal interno, levou à diminuição dos contratos públicos para aquisição de medicamentos, provocando rupturas de stock em hospitais e postos de saúde em todo o país.
O efeito desta crise já é visível no dia a dia dos cidadãos que recorrem ao sistema público. Em várias maternidades, por exemplo, mulheres em trabalho de parto têm sido obrigadas a levar seus próprios suprimentos, como luvas cirúrgicas e materiais de higiene, para garantir o atendimento.
Para especialistas do CIP, a situação evidencia uma fragilidade que afeta principalmente as camadas mais pobres da sociedade. Sem reformas urgentes na gestão financeira e políticas que promovam maior autonomia do SNS, a tendência é que os problemas se agravem em 2026, aprofundando as desigualdades no acesso a cuidados de saúde de qualidade no país.
