Pretória, África do Sul – Horas após ter sido condenado a cinco anos de prisão pelo disparo de uma arma de fogo num comício em 2018, o líder do partido Combatentes da Liberdade Económica (EFF), Julius Malema, quebrou o silêncio. Fiel ao seu estilo combativo e inabalável, o político sul-africano recorreu às redes sociais para deixar uma mensagem desafiadora aos seus opositores e ao sistema judicial.
Numa clara referência aos que impulsionaram o processo contra si nos tribunais — nomeadamente o grupo de lobby Afriforum —, Julius Sello Malema escreveu na sua página oficial do Facebook:
”You are scared of a political debate. You use court to settle the political differences. I am not scared of prison, neither am I scared of death. When I joined the struggle, I knew three things might happen to me: they will either arrest me or kill me. If they don’t kill me, I will attain my freedom. We fight for the freedom. We are not scared of death. We are not scared of prison. We are scared of poverty. We are scared of unemployment. We are scared of landlessness. We are scared of living without our dignity as black people.”
Tradução para Português:
“Vocês têm medo de um debate político. Vocês usam os tribunais para resolver diferenças políticas. Eu não tenho medo da prisão, nem tampouco tenho medo da morte. Quando me juntei à luta, eu sabia que três coisas me poderiam acontecer: ou me prenderiam ou me matariam. Se não me matarem, alcançarei a minha liberdade. Nós lutamos pela liberdade. Não temos medo da morte. Não temos medo da prisão. Temos medo da pobreza. Temos medo do desemprego. Temos medo da falta de terras. Temos medo de viver sem a nossa dignidade como pessoas negras.”
O Significado Político da Declaração
Esta publicação serve como um manifesto de resistência para os seus apoiantes, conhecidos como “Fighters” (Lutadores). Ao afirmar que os seus verdadeiros medos são a pobreza, o desemprego, a falta de terras e a perda de dignidade do povo negro, Malema redireciona a narrativa da sua condenação criminal de volta para as pautas políticas centrais do EFF.
O Contexto da Condenação
Recorde-se que a lei sul-africana dita que qualquer pessoa condenada a mais de 12 meses de prisão sem opção de multa perde o direito de servir no Parlamento. Apesar da sentença de cinco anos ter sido proferida pela magistrada Twanet Olivier na quinta-feira, Malema saiu em liberdade mediante recurso.
Enquanto aguarda o desenrolar das próximas batalhas legais, a sua publicação no Facebook deixa uma garantia: a liderança do terceiro maior partido da oposição não recuará, quer a luta se trave nas urnas, nas ruas ou nos tribunais.
