Crise no Médio Oriente faz disparar petróleo e gás

O encerramento do Estreito de Ormuz voltou a causar impacto nos mercados internacionais, com uma das principais rotas do comércio global a ficar novamente bloqueada.

Os preços do petróleo e do gás natural registaram nova subida esta segunda-feira, depois de um breve período de alívio associado à redução das tensões no Médio Oriente. O cenário atual reflete o pessimismo dos investidores quanto ao fim do conflito no Golfo Pérsico, agravado pela menor disponibilidade do Irão em avançar com novas negociações.

De acordo com o Jornal Negócios, o petróleo Brent — referência para a Europa — subia 5,70%, atingindo os 95,52 dólares por barril, depois de ter chegado a valorizar quase 8% durante a madrugada, aproximando-se dos 100 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, avançava 6,03% para 88,87 dólares por barril. Por sua vez, o gás natural liquefeito (GNL) negociado em Amesterdão chegou a disparar 11%, reduzindo posteriormente os ganhos para 5,77%, sendo transacionado a cerca de 41 euros por megawatt.

No sábado, o Irão voltou a fechar o Estreito de Ormuz, menos de 24 horas após a sua reabertura, acusando os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo alcançado há cerca de duas semanas. Apesar de Teerão ter anunciado que permitiria a livre circulação nesta via — responsável por cerca de um quinto do petróleo e gás consumidos globalmente —, Washington optou por manter restrições direcionadas a navios iranianos, preservando o bloqueio numa das rotas mais estratégicas do comércio mundial.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, revelou no domingo que a marinha dos EUA intercetou um cargueiro iraniano no Golfo de Omã, tendo danificado a sua sala de máquinas após o navio ignorar ordens para parar. Este episódio marca o primeiro confronto direto entre os dois países desde o início do bloqueio em Ormuz por parte dos EUA, num contexto em que as negociações de paz continuam sem avanços e o Irão afirma não haver uma “perspectiva clara” para o fim do conflito.

Segundo Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, citado pela Bloomberg, o mercado continua a refletir um prémio de risco à medida que se aproxima o prazo do cessar-fogo. O responsável considera que, caso a situação se mantenha, os preços do petróleo poderão subir gradualmente para um intervalo entre 105 e 115 dólares por barril, ainda que sujeitos a forte volatilidade consoante a evolução dos acontecimentos.

Apesar do clima de incerteza, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, juntamente com os enviados especiais de Washington, Steve Witkoff e Jared Kushner, deverá partir dos Estados Unidos rumo a Islamabad ainda esta segunda-feira à noite. O objetivo é avançar com uma segunda ronda de negociações com o regime liderado por Mojtaba Khamenei, segundo fonte da Casa Branca citada pela Bloomberg. Contudo, os meios de comunicação estatais iranianos indicam que o país não pretende enviar representantes para este encontro, que será mediado pelo Paquistão.

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