A energia solar e a eólica poderão, em conjunto, assegurar cerca de 45% da produção global de electricidade até 2050. A conclusão resulta de um novo modelo desenvolvido por investigadores da Universidade de Tecnologia de Chalmers.

De acordo com as projecções, a energia eólica deverá representar entre 25% e 26% da electricidade mundial, enquanto a solar poderá atingir valores entre 20% e 21%. Este cenário é considerado compatível com trajectórias que limitam o aquecimento global a 2 graus, embora ainda insuficiente para cumprir o objectivo mais ambicioso de 1,5 graus.
O estudo, citado pelo Jornal Negócios, indica que, apesar do crescimento destas tecnologias ter superado grande parte das expectativas, prever a evolução futura continua a ser um desafio. Isso deve-se ao equilíbrio entre a redução dos custos e diversos obstáculos, como a resistência pública, limitações nas infra-estruturas e mudanças nas políticas energéticas.
Segundo Jessica Jewell, os modelos existentes são eficazes a definir o que é necessário para atingir metas climáticas, mas não conseguem antecipar com precisão os caminhos mais prováveis. “Foi essa lacuna que procurámos colmatar”, explicou.
A equipa analisou padrões de crescimento em mais de 200 países e concluiu que a expansão das energias renováveis raramente ocorre de forma linear. Em vez disso, verificam-se períodos relativamente estáveis, seguidos de aumentos rápidos, frequentemente impulsionados por mudanças políticas.
Avi Jakhmola, primeiro autor do estudo, destaca que muitos modelos assumem uma evolução contínua em forma de “S”, o que não corresponde à realidade. “O crescimento tende a acontecer em picos e ignorar isso pode levar a erros na avaliação da velocidade de expansão”, afirmou.
Para melhorar a precisão das previsões, os investigadores criaram um modelo baseado em 13 mil “mundos virtuais”, cada um com trajectórias distintas para a energia solar e eólica — desde cenários de crescimento acelerado até evoluções mais lentas. Um algoritmo de aprendizagem automática foi utilizado para identificar, com base em tendências iniciais de cada país, os resultados globais mais prováveis.
O modelo também permite contextualizar metas internacionais, como o compromisso assumido na COP 28 de triplicar a capacidade de energias renováveis até 2030. Segundo os investigadores, esse objectivo situa-se próximo do percentil 95 das projecções, indicando que exige níveis de crescimento raramente observados.
Jessica Jewell ressalva que a meta não é impossível, mas dependeria de condições extremamente favoráveis em todos os países. Já Avi Jakhmola alerta que, embora seja possível alcançar as taxas necessárias se a acção for imediata, qualquer adiamento até 2030 tornará o esforço muito mais intenso e abrupto, reduzindo rapidamente a margem de manobra.
Para validar a fiabilidade do modelo, a equipa recorreu a dados históricos e verificou que, utilizando apenas informações disponíveis até 2015, foi possível antecipar com precisão os desenvolvimentos posteriores.
