O Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), Carlos Martins, refutou as teses apresentadas no recente informe da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as causas do brutal assassinato do advogado Elvino Bernardo António Dias. A organização rejeita categoricamente qualquer tentativa de associar a execução, de forma directa e exclusiva, à sua condição de arguido num processo judicial.
Extrema Violência vs. Supostos Motivos
É de conhecimento público que o malogrado advogado estava envolvido num processo sensível, indiciado por falsificação de documentos no âmbito de um esquema ligado a raptos. Contudo, a OAM traça uma linha vermelha: o estatuto processual de Elvino Dias não justifica, sob qualquer prisma, a extrema violência do crime.
“Não nos parece que Elvino Dias tenha sido assassinado com mais de 20 tiros por causa de uma certidão. A verdade ainda vai ser esclarecida”, declarou o Bastonário, desmontando as narrativas que considera demasiado simplistas.
Elementos Ocultos e Colaboração no Processo
A posição da OAM ganha ainda mais peso perante as evidências de que o advogado não figurava apenas como arguido, mas seria também uma peça-chave que poderia estar a ajudar a desvendar a complexa teia deste processo. Para a Ordem, este factor enfraquece a teoria de que o crime teve uma motivação directa e isolada relacionada apenas com o processo de falsificação.
A instituição insiste que:
- A execução foi desproporcional: A brutalidade do acto, cravado por múltiplos disparos, não condiz com a narrativa até agora avançada.
- Há interesses por revelar: O contexto do crime aponta para uma teia muito mais ampla, onde as reais motivações e os mandantes continuam ocultos.
Exigência de Respostas Profundas
Sem ignorar os factos processuais em que Elvino Dias estava envolvido, Carlos Martins assegurou que a OAM manterá a sua independência e não alinhará com interpretações apressadas do caso. O Bastonário reiterou o seu compromisso inabalável com a descoberta da verdade material dos factos, deixando um aviso claro: Moçambique não pode, nem deve, conformar-se com explicações superficiais para uma execução desta magnitude.
