A rápida propagação de falsas informações nas redes sociais e em plataformas de mensagens está a ter consequências trágicas na província de Cabo Delgado. O alarme social gerado em torno de supostos perigos associados ao uso de redes mosquiteiras resultou na morte de uma pessoa e provocou um Acidente Vascular Cerebral (AVC) a outra.
As Vítimas do Pânico
Segundo os relatos, ambas as vítimas encontravam-se deitadas sob as suas redes mosquiteiras no momento em que foram confrontadas com o boato:
- Distrito de Meluco: Uma mulher perdeu a vida de forma súbita após atender uma chamada telefónica que a alertava para os falsos riscos. A vítima morreu ainda com o telemóvel encostado ao ouvido.
- Distrito de Ancuabe: Um idoso sofreu um AVC imediatamente após ter conhecimento das mesmas mensagens alarmistas enquanto descansava debaixo da rede.
O Conteúdo da Desinformação
A vaga de boatos, que tem aterrorizado as comunidades locais, instruía as pessoas a removerem a etiqueta branca de informação fixada nas redes mosquiteiras. As falsas mensagens recomendavam que esse rótulo fosse queimado ou enterrado, ameaçando que, caso a instrução não fosse cumprida, dormir sob a rede resultaria em morte certa.
Sector de Saúde Desmente e Alerta
Face à escalada de medo, o Sector de Saúde de Cabo Delgado reagiu prontamente com um comunicado oficial a desmentir, de forma categórica, estas alegações.
As autoridades sanitárias clarificam que:
- As redes mosquiteiras fornecidas pelo Ministério da Saúde (MISAU) são absolutamente seguras.
- Não existe qualquer dispositivo (como “chips”) ou substância nociva no material.
- A rede mosquiteira continua a ser a principal barreira de prevenção contra a malária, uma das doenças que mais mata na região.
O documento governamental apela aos cidadãos para que continuem a usar as redes todas as noites, não as destruam e tenham responsabilidade na hora de partilhar conteúdos nas redes sociais, evitando alimentar o pânico.
Impacto Clínico e Contexto de Crise
Especialistas em saúde advertem que o medo extremo e a ansiedade aguda, despoletados por este tipo de desinformação, têm um impacto real no organismo, podendo desencadear graves crises cardiovasculares e neurológicas, como as registadas em Meluco e Ancuabe.
Este episódio agrava a vulnerabilidade de Cabo Delgado, uma província já severamente fustigada por crises de segurança e desafios humanitários. A tragédia evidencia não só os perigos mortais das fake news, mas também a urgência de promover a literacia digital nas comunidades e garantir uma comunicação institucional rápida e eficaz.
