GILÉ, Zambézia — O posto administrativo de Moneia, localizado no distrito do Gilé, foi palco de intensos distúrbios que culminaram na destruição de uma unidade da Polícia da República de Moçambique (PRM) pelo fogo, ateado por residentes locais revoltados.
O estopim para este cenário de caos foi a intercepção de um homem de 54 anos. O indivíduo foi alegadamente apanhado a observar mulheres enquanto estas tomavam banho num rio da zona, o que gerou a ira da população, que rapidamente se mobilizou com a intenção de o linchar.
Nesta quarta-feira (29), a porta-voz da PRM na província da Zambézia, Belarmina Henriques, confirmou a ocorrência. A responsável detalhou que os confrontos directos entre os residentes e as autoridades começaram quando os agentes policiais intervieram para resguardar a vida do suspeito, impedindo a população de fazer justiça pelas próprias mãos. Perante a protecção policial ao homem, a multidão descontrolou-se e direccionou a sua fúria contra as instalações da polícia.
Alarme face à vandalização de infraestruturas do Estado
Este ataque junta-se a uma estatística preocupante revelada pelas autoridades: trata-se do terceiro episódio de vandalização contra infraestruturas da polícia registado na província da Zambézia num espaço de tempo inferior a uma semana. A situação levanta um sério alerta sobre a crescente falta de respeito e de acatamento da autoridade do Estado na região.
Em reacção à destruição da unidade, a PRM expressou o seu lamento face aos contornos que o caso tomou e assegurou que as diligências investigativas já estão em curso. O objectivo é localizar e responsabilizar criminalmente todos os indivíduos que participaram no incêndio do posto policial.
Paralelamente, a corporação lançou um veemente apelo à serenidade da população. As autoridades recordam que o recurso à “justiça popular” constitui um crime perante a lei e advertem que atitudes desta índole não só debilitam os serviços públicos essenciais, como também colocam em grave risco a segurança e a paz das próprias comunidades.
