O sector energético moçambicano está no centro de uma nova e grave controvérsia. Surgem suspeitas alarmantes sobre um esquema de reexportação ilegal que envolve o desvio de aproximadamente 5,3 milhões de litros de gasolina. Segundo informações recentes, este combustível, que deveria abastecer o mercado nacional, teria como destino final a província de Gauteng, na vizinha África do Sul.
O esquema no Porto da Matola
De acordo com relatos que apontam para irregularidades no processo logístico, a suposta operação clandestina terá ocorrido durante o descarregamento de um carregamento massivo de 20 milhões de litros nos Terminais Oceânicos do Porto da Matola. Parte dessa carga (os referidos 5,3 milhões de litros) teria sido “extraviada” do sistema de distribuição nacional para alimentar o mercado sul-africano.
Silêncio da indústria e crise nas bombas
Apesar da gravidade das denúncias, as empresas e entidades ligadas à logística de combustíveis mantêm-se em silêncio absoluto, operando sob um regime de total reserva. Enquanto os detalhes deste mistério permanecem por esclarecer, os cidadãos moçambicanos enfrentam um agravamento visível na crise de abastecimento de combustível nas bombas, com filas e escassez em várias regiões.
O cenário levanta questões críticas sobre a segurança e integridade da economia moçambicana. Analistas e figuras do sector questionam se este episódio configura um acto deliberado de sabotagem económica, especialmente quando se compara a situação com a zona centro do país: na Beira, as reservas geridas pela IMOPETRO continuam a operar com volumes significativos, o que torna o défice verificado no sul ainda mais suspeito.
As autoridades competentes são agora instadas a investigar se este “desvio” milionário é o responsável direto pelas secas de combustível que afectam o quotidiano de empresas e consumidores domésticos.
Fonte: Classic FM 101.6
