A multinacional petrolífera italiana Eni revelou esta segunda-feira (18 de maio), em declarações à agência Lusa, que se encontra a estudar a viabilidade de avançar com o desenvolvimento de uma terceira plataforma flutuante de Gás Natural Liquefeito (FLNG) na Bacia do Rovuma, no norte de Moçambique.
Contactada pela Lusa, uma fonte oficial da empresa sublinhou que a bacia — onde a Eni já opera a plataforma Coral Sul e tem o arranque da Coral Norte agendado para 2028 — “possui reservas significativas de gás natural, o que permite não só a implementação dos projetos em curso, mas também a criação de oportunidades para novos desenvolvimentos”.
”Neste contexto, a Eni está atualmente a avaliar a possibilidade de avançar com um terceiro projeto baseado na tecnologia FLNG, cujo sucesso foi demonstrado pelo projeto FLNG Coral Sul”, assegurou a petrolífera.
Coral Norte Avança com 7,2 Mil Milhões de Dólares
A consolidação da aposta da Eni em Moçambique foi reafirmada no passado dia 2 de outubro, em Maputo. O Presidente Executivo (CEO) da multinacional, Claudio Descalzi, garantiu que a produção de GNL do projeto Coral Norte arrancará em menos de três anos.
”Iniciámos o cronograma para 2028. Isto significa que começámos hoje com a FID e, no prazo de três anos, iniciaremos a produção”, afirmou Descalzi durante a cerimónia de assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da Coral Norte, um projeto avaliado em 7,2 mil milhões de dólares (cerca de 6,2 mil milhões de euros).
O acordo entre os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma (ao largo de Cabo Delgado) — consórcio que integra a Eni, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a CNPC, a Kogas e a XRG — foi assinado sob o olhar do Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo.
Terceiro Maior Produtor de África
Segundo Claudio Descalzi, a nova plataforma flutuante fará com que Moçambique ascenda à posição de “terceiro maior produtor de GNL em África”, ficando apenas atrás da Nigéria e da Argélia. A Coral Norte vai duplicar a atual capacidade do país (atualmente dependente apenas da Coral Sul), atingindo as sete milhões de toneladas por ano (mtpa).
O CEO da petrolífera destacou que Moçambique “também se está a posicionar na transição energética global”, acrescentando que, neste trajeto, os parceiros estão “comprometidos a longo prazo com o crescimento e a prosperidade do país”.
O Sucesso da Tecnologia FLNG: Do “Impossível” à Realidade
Descalzi recordou com orgulho o pioneirismo do projeto moçambicano: “A Coral Norte é o segundo desenvolvimento de GNL flutuante de grande escala localizado em águas ultraprofundas a nível mundial. Mas nós sabemos exatamente onde está o primeiro — bem aqui em Moçambique: o Coral Sul.”
O líder da Eni lembrou que, há cinco ou seis anos, “todos diziam que era impossível” concretizar tal engenharia. “Agora já estamos no segundo desenvolvimento, algo que todos poderiam ter considerado tecnicamente impossível”, notou.
Os números da pioneira Coral Sul comprovam a viabilidade do modelo. Desde a extração do primeiro gás em 2022, a plataforma já exportou com sucesso mais de 120 cargas de GNL. O seu impacto económico tem sido massivo:
- Representou 50% do crescimento do PIB de Moçambique em 2023.
- Em 2024, esse peso subiu para cerca de 70% do crescimento do PIB.
- Previsão de geração de 16 mil milhões de dólares (13,7 mil milhões de euros) em receitas fiscais durante a sua vida útil.
- Mais de 800 milhões de dólares (683 milhões de euros) alocados em contratos a empresas locais.
- Mais de 1.400 postos de trabalho diretos criados para moçambicanos.
Projeções para a Coral Norte e o Panorama do Rovuma
Construída sobre esta base sólida, a Coral Norte será uma “réplica melhorada da Coral Sul” que provará novamente que a tecnologia FLNG é uma solução “rápida, competitiva e fiável”. Estima-se que a nova plataforma venha a injetar uns expressivos 23 mil milhões de dólares (20,1 mil milhões de euros) em receitas fiscais para o Estado moçambicano ao longo de 30 anos de operação, duplicando ainda o número de empregos criados em relação à primeira plataforma.
Para além das operações flutuantes da Eni, importa lembrar que Moçambique conta com três megaprojetos aprovados para a Bacia do Rovuma — que detém algumas das maiores reservas de gás do mundo. Os outros dois serão desenvolvidos em terra, na península de Afungi: o da TotalEnergies (13 mtpa), que já retomou os trabalhos após a suspensão forçada pelos ataques terroristas, e o da ExxonMobil (18 mtpa), que continua a aguardar a sua decisão final de investimento. (Com informações da agência Lusa).
