O distrito de Angónia, situado na província central de Tete, prepara-se para receber, em breve, uma unidade fabril dedicada ao processamento de sementes certificadas. Esta iniciativa governamental tem como duplo objetivo dinamizar a produção agrícola local e dar resposta direta às frequentes queixas dos camponeses face ao custo exorbitante dos insumos.
Reestruturação Contratual em Curso
Considerado um dos maiores “celeiros” de Moçambique, o distrito vê este projeto como uma infraestrutura estratégica. Segundo as autoridades locais, o processo encontra-se atualmente numa fase de reestruturação de contratos com a empresa encarregue de implementar a obra.
Leovigildo Matchissa, diretor do Serviço Distrital de Atividades Económicas (SDAE) de Angónia, assegurou que o arranque desta indústria será fundamental para ultrapassar os constrangimentos na obtenção de sementes de alta qualidade. “Ao entrar em funcionamento, a fábrica vai resolver parte da preocupação dos agricultores na componente das sementes melhoradas”, destacou o responsável.
O “Pesadelo” dos Fertilizantes
Apesar da boa notícia no campo das sementes, Leovigildo Matchissa admite que o preço praticado na venda de fertilizantes continua a asfixiar o setor, defendendo que a solução ideal passaria pela instalação de uma fábrica de adubos na própria região.
”Os fertilizantes no distrito têm preços elevados e isso acaba por penalizar as famílias produtoras”, frisou o diretor do SDAE. Matchissa detalhou que, dependendo da fase da época agrícola, um único saco de 50 quilos de fertilizante pode custar entre 3.000 e 3.700 meticais. Perante esta oscilação acentuada, o responsável classifica as reclamações dos camponeses como “legítimas” e reitera que uma produção local de adubos seria uma verdadeira “mais-valia” para alargar as margens de lucro de quem trabalha a terra.
O Desespero de Quem Produz
As dificuldades relatadas pelo Governo são vividas na pele pelos produtores. Em declarações à Rádio Moçambique, os agricultores locais defenderam a urgência de se erguerem fábricas de processamento no distrito, lamentando o enorme desequilíbrio entre o que gastam para plantar e o que ganham na hora de vender.
O produtor Adolfo Carma ilustrou o cenário de forma clara: “A semente do milho estamos a comprar a 200 meticais e o adubo custa mais de três mil meticais, mas depois vendemos o milho a preços baixos. Isso não é rentável”.
Refira-se que Angónia é reconhecida como um dos polos agrícolas mais pujantes da província de Tete, com forte tradição e destaque no cultivo de milho, feijão e outros cereais essenciais para a segurança alimentar do país. (Com informações da AIM).
