Mais de 15 Mil Pessoas Fogem de Ancuabe Numa Nova Vaga de Terror

​A escalada da violência armada no norte de Moçambique forçou mais de 15 mil pessoas a abandonarem as suas residências no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, apenas desde o início do mês de maio. Os dados alarmantes, que refletem o agravamento do clima de insegurança na região, foram divulgados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Os Números de um Êxodo Crescente

​De acordo com a mais recente atualização da OIM, citada pela agência Lusa e referente ao período entre 1 e 19 de maio, os constantes ataques e o pânico de novas incursões terroristas desencadearam um movimento massivo de fuga. As populações têm procurado refúgio em zonas consideradas mais seguras dentro do próprio distrito de Ancuabe, bem como nos distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre.

​Ao todo, a OIM contabilizou 15.286 deslocados (o equivalente a 4.886 famílias). Estas pessoas são originárias, na sua maioria, das localidades de Nacuale, Minheuene, Metoro e Meza. A rapidez da deterioração da segurança é visível nos números: no levantamento anterior (de 1 a 10 de maio), o registo situava-se na casa dos 12 mil deslocados, o que demonstra um salto de mais de 3 mil pessoas em pouco mais de uma semana.

Crianças e Mulheres na Linha da Frente da Crise

​A atual crise humanitária está a atingir de forma severa os grupos mais vulneráveis. Os dados demográficos do relatório da OIM são reveladores:

  • Crianças: Foram registados 7.781 menores, o que representa mais de metade do total de deslocados. Destes, 10 crianças chegaram aos centros de acolhimento completamente desacompanhadas.
  • Mulheres: Contabilizaram-se 4.301 mulheres adultas, estando 102 delas grávidas.
  • Outros Grupos de Risco: Entre os deslocados encontram-se 292 idosos (com mais de 60 anos) e 33 pessoas com deficiência.

​Face a este cenário, a organização humanitária emitiu um forte alerta para o agravamento dos riscos sociais, destacando o perigo da separação familiar, o aumento da violência baseada no género, a perda de documentos de identificação pessoal e o profundo impacto psicossocial sobre as populações em fuga.

O Rasto de Destruição em Maio

​Esta nova vaga migratória é o resultado direto de uma série de investidas terroristas que fustigaram Ancuabe ao longo do mês. A 7 de maio, elementos associados ao Estado Islâmico reivindicaram um ataque devastador no distrito, declarando ter destruído uma igreja cristã, vandalizado estabelecimentos comerciais e reduzido a cinzas cerca de 220 habitações.

​Poucos dias antes, a 5 de maio, um grupo armado já havia semeado o terror na aldeia de Nacoja. Esta incursão ocorreu nas imediações de uma operação mineira local, forçando a retirada preventiva de todos os trabalhadores da infraestrutura.

​A onda de violência de maio começou a desenhar-se logo no final de abril. Cinco dias antes do ataque a Nacoja, a aldeia de Minheuene, em Mazeze, foi alvo de uma investida brutal. Durante o ataque, os insurgentes destruíram habitações, raptaram pelo menos 22 pessoas e destruíram a histórica missão de São Luís de Monfort — uma estrutura erguida em 1946 e considerada um dos maiores símbolos da presença da Igreja Católica naquela região.

Pressão Sobre os Sistemas de Acolhimento

​A província de Cabo Delgado, território rico que alberga alguns dos mais importantes projetos de gás natural do continente africano, enfrenta uma violenta insurgência armada desde outubro de 2017. O recente recrudescimento dos ataques armados está a aumentar drasticamente a pressão sobre os sistemas de assistência e acolhimento, consolidando o norte de Moçambique como o palco de uma das mais graves crises humanitárias da África Austral.

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