O Governo moçambicano confirmou publicamente que passará a assumir os custos financeiros associados à permanência das forças de segurança do Ruanda na província de Cabo Delgado, onde actuam no combate aos grupos terroristas. A validação do novo modelo de cooperação foi feita pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa.
Esta declaração surge na sequência de afirmações do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, que já tinha revelado que o governo de Kigali passou a negociar de forma directa com Maputo a cobertura das despesas operacionais do seu contingente militar em solo nacional.
Desconhecimento Sobre Valores e Prazos
Instado a detalhar os contornos do entendimento bilateral, Inocêncio Impissa esclareceu que a medida resulta dos canais diplomáticos habituais, enquadrada nos contactos, abordagens e mecanismos de relacionamento que ligam os dois Estados. No entanto, o porta-voz do Governo reconheceu abertamente que não dispõe de dados específicos sobre as metas financeiras ou sobre a duração do compromisso.
“Não sei dos custos, não sei quanto é que isso significa e até quanto tempo ficarão. Os acordos hão-de clarificar, nos próximos tempos, sobre esta matéria”, declarou o governante.
Capacitação das FADM Como Justificação Estratégica
Mesmo sem apresentar o impacto que esta decisão terá no Orçamento do Estado, o Executivo de Moçambique defende que a manutenção do apoio militar de Kigali é uma peça estratégica essencial. O argumento central assenta na premissa de que a presença ruandesa dará espaço e tempo para o fortalecimento interno das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
O porta-voz fundamentou a decisão apontando os ganhos operacionais a médio prazo: “Ao termos este reforço das forças de segurança ruandesas, haverá condições para se continuar a capacitar o nosso país e reorganizar as nossas forças em termos de capacidade, equipamento e tecnologia”.
A Visita de Daniel Chapo a Kigali
A alteração na gestão financeira do esforço de guerra coincide cronologicamente com a recente agenda internacional do Presidente da República, Daniel Chapo. O Chefe de Estado moçambicano deslocou-se a Kigali para participar no Africa Chief Executive Officer Forum, após um convite formulado pelo seu homólogo ruandês, Paul Kagame.
Para Inocêncio Impissa, a ligação entre a cimeira e a reformulação dos custos militares é evidente e aponta para entendimentos directos estabelecidos ao mais alto nível da magistratura dos dois países. O porta-voz concluiu de forma assertiva, notando que a mudança ocorreu “um pouco depois de o Presidente da República ter passado de Kigali. Então, não há-de ser coincidência”.
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