Luz Verde Após Seis Meses: Novos Aviões da LAM Prontos Para Voar no Meio de Esforços Diplomáticos

​As duas novas aeronaves da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), recepcionadas em meados de Dezembro do ano passado, encontram-se finalmente com a pintura oficial da companhia e estão aptas a iniciar as suas operações nos próximos dias. A garantia foi dada esta quinta-feira, na cidade de Maputo, por Agostinho Langa Júnior, Presidente do Conselho de Administração dos CFM e membro da Comissão Executiva que actualmente gere a transportadora de bandeira.

Nova Imagem, Procedimentos e Custos Adicionais

​Os dois jactos Embraer 190, adquiridos na Holanda por um montante de 25 milhões de dólares, permaneceram inactivos durante cerca de seis meses. Falando à margem da sessão de auscultação sobre o regulamento de acesso à actividade ferroviária, Langa Júnior justificou a demora afirmando que o processo foi além da simples estética. Segundo o gestor, a “nova imagem” exigiu uma revisão e alteração profunda de vários procedimentos internos da empresa, que se encontra sob um forte plano de reestruturação.

​A inoperância dos novos aparelhos teve um impacto directo nas contas da transportadora. O responsável admitiu a ocorrência de “custos adicionais” incontornáveis, uma vez que a LAM teve de continuar a recorrer ao aluguer de aviões a terceiros para garantir as suas ligações. Langa Júnior revelou que a direcção esteve reunida na última quarta-feira para agendar o voo inaugural, mas alertou a opinião pública de que a entrada destas duas aeronaves não elimina a dependência externa: a companhia continuará a precisar de aviões alugados para dar resposta à procura nas rotas domésticas e regionais.

A Sombra da Corrupção e o Boicote da Embraer

​Contudo, a versão oficial centrada na pintura e reestruturação contrasta com os dados revelados pela imprensa nacional. Segundo informações apuradas pelo jornal Canal de Moçambique, a paralisação de seis meses esteve directamente ligada a um bloqueio por parte da Embraer. A fabricante brasileira ter-se-á recusado a fornecer peças essenciais de reposição para as aeronaves, alegando o seu envolvimento em antigos escândalos de corrupção.

​Esta crispação remonta ao mediático “Caso Embraer”, que veio a público em 2016. O processo expôs o pagamento de subornos, ocorridos em 2008, a altas figuras do Estado moçambicano para facilitar negócios, arrastando nomes como o de Paulo Zucula (antigo Ministro dos Transportes e Comunicações), José Viegas (então PCA da LAM) e o intermediário Mateus Zimba. Os graves danos reputacionais resultantes deste escândalo levaram a fabricante a cortar relações comerciais directas com a estatal moçambicana.

Ofensiva Diplomática Para Limpar a Imagem

​Face a este impasse, a publicação detalha que a actual direcção da LAM teve de arregaçar as mangas para restabelecer a confiança no mercado internacional. Sob a liderança do gestor sérvio Dane Kondic, a administração encetou uma intensa campanha de lobby diplomático ao mais alto nível.

​Kondic intercedeu directamente junto do vice-presidente da Embraer, João Taborda, com o objectivo de provar o saneamento da empresa e demonstrar que a Linhas Aéreas de Moçambique é, no actual contexto, uma entidade idónea e regida por práticas transparentes.

Fontes Originais: Carta de MZ (com citações do Canal de Moçambique)

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