O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, justificou a falta de um acordo definitivo com o Irão afirmando que os líderes iranianos são “fortes” e “orgulhosos”. O chefe de Estado defendeu a celeridade das operações norte-americanas e a eficácia militar num conflito que dura há cerca de três meses.
Em declarações prestadas à estação televisiva NBC News na sexta-feira, 5 de junho, Trump abordou os avanços e recuos nas negociações. Segundo o presidente, a resiliência de Teerão tem atrasado o processo diplomático. “Eles são fortes, eles são orgulhosos”, afirmou, sublinhando, contudo, que os iranianos “não têm escolha” e acabarão por ter de ceder a condições que nunca imaginaram aceitar, um processo que reconheceu demorar o seu tempo.
Defesa Face às Críticas e Comparação Histórica
Confrontado com as críticas sobre a demora em alcançar um consenso e o fim definitivo da guerra, o presidente norte-americano desvalorizou as cobranças e comparou a atual situação com conflitos do passado:
- Histórico de confrontos: Trump recordou que o povo iraniano está “a lutar há 47 anos” e a “matar americanos”.
- Tempo de operação: Em resposta àqueles que exigem uma vitória imediata, lembrou que está no comando desta ofensiva há apenas três meses, contrastando esse período com os 19 anos de duração da Guerra do Vietname. Argumentou, assim, que está a fazer as coisas “muito depressa”.
- Fator político: O chefe de Estado sugeriu que a pressão diária para declarar vitória tem contornos partidários, afirmando estar habituado e defendendo que, se fosse do Partido Democrata, ninguém o estaria a questionar desta forma.
Impacto Militar e Destruição de Infraestruturas
Apesar do bloqueio negocial, Donald Trump garantiu que as forças armadas norte-americanas “destruíram completamente” grande parte do poderio militar do Irão. O líder americano detalhou as perdas impostas ao país do Médio Oriente:
- Destruição da maioria das fábricas de drones;
- Inutilização da maioria das plataformas de lançamento;
- Destruição das principais áreas de fabrico de mísseis;
- Redução drástica do arsenal iraniano, restando apenas entre 21% a 22% dos mísseis originais — uma percentagem que, embora ainda represente “muitos mísseis”, reflete uma capacidade bélica muito inferior àquela que o país detinha antes da primeira ofensiva.
O Contexto da Guerra e o Bloqueio de Ormuz
O atual conflito espoletou no dia 28 de fevereiro, através de um ataque conjunto levado a cabo pelos Estados Unidos e por Israel contra Teerão. Esta operação resultou na eliminação de vários altos responsáveis da liderança iraniana, onde se inclui a morte do então aiatola.
Desde os momentos iniciais da guerra que Trump tem vindo a prometer um acordo “para breve”, chegando a prever o fim do conflito numa questão de semanas. No entanto, o único avanço efetivo até à data foi o estabelecimento de um cessar-fogo temporário, que tem sido sucessivamente prolongado desde o mês de abril.
Apesar das tréguas, a região continua a ser palco de instabilidade. Continuam a registar-se ataques pontuais entre as forças envolvidas e os seus aliados vizinhos, destacando-se as investidas do Irão contra o Kuwait e os ataques de Israel no Líbano. Paralelamente, como medida de forte pressão estratégica e económica sobre o regime iraniano, os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval que dita o encerramento contínuo do Estreito de Ormuz.
