Irão Anuncia Funeral de Estado de Três Dias para o Falecido Líder Supremo Ali Khamenei

O Governo do Irão comunicou, esta terça-feira (2), a organização de um funeral de Estado com a duração de três dias para prestar homenagem ao ex-líder supremo Ali Khamenei. A figura central da República Islâmica foi abatida em finais de fevereiro, durante os ataques aéreos iniciais perpetrados pelos Estados Unidos e por Israel, os quais marcaram o início do conflito atual no Médio Oriente.

​Ali Khamenei, que esteve à frente dos destinos do país durante quase 37 anos, foi assassinado na sua residência, situada no centro de Teerão. Embora uma cerimónia oficial tivesse sido inicialmente agendada para 4 de março, a escalada da guerra obrigou ao adiamento dos planos.

​Sucessão e Incertezas

​O cargo foi herdado pelo seu filho, Mojtaba Khamenei, também aiatolá. Contudo, a sua ascensão ao poder tem sido marcada por um silêncio incomum: o novo líder ainda não realizou qualquer aparição pública e o seu real estado de saúde permanece envolto em mistério.

​O anúncio da cerimónia foi feito por Mohammad Amin Tavakolizadeh, vice-prefeito de Teerão, em declarações à televisão estatal. Embora não tenha sido confirmada uma data precisa, o responsável sugeriu que o funeral poderá ocorrer em meados de junho, coincidindo com o início do Muharram, o primeiro mês do calendário islâmico.

​Roteiro das Cerimónias

​O funeral será descentralizado, abrangendo as cidades de Teerão, Qom e Mashhad, sendo que nesta última ocorrerá o sepultamento. Segundo Tavakolizadeh, espera-se que a capital receba uma afluência de até 20 milhões de pessoas durante as 24 horas em que a cerimónia decorrerá na cidade.

​O Legado e Percurso de Khamenei

​Nascido em 1939 em Mashhad, Ali Khamenei foi um pilar da Revolução Islâmica de 1979, atuando lado a lado com o aiatolá Ruhollah Khomeini. O seu percurso político consolidou-se nos anos 60, através de movimentos de resistência contra o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi.

  • Trajetória política: Após sofrer um atentado em 1981, que o deixou com o braço direito paralisado, foi eleito presidente do Irão com 95% dos votos. Com a morte de Khomeini, em 1989, a Assembleia de Peritos nomeou-o líder supremo.
  • Estratégia de poder: Especialistas apontam que Khamenei centralizou o controlo através da criação de instituições paralelas ao Estado, como a Guarda Revolucionária (IRGC), que funcionam em espelho às estruturas tradicionais.
  • Gestão e Polémica: Ao longo de décadas, fomentou um culto de personalidade e exerceu um controlo férreo sobre políticas nacionais. Em 2018, uma investigação da Reuters estimou que controlava um império financeiro de 95 mil milhões de dólares, alegadamente construído através do confisco de bens de cidadãos comuns, incluindo minorias — informações que o seu gabinete refutou à data.
  • Repressão: O seu mandato foi caracterizado pela linha dura, com o governo a ser frequentemente acusado de reprimir violentamente protestos, jornalistas, intelectuais e de promover o assassinato de opositores no exílio.

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