O administrador do distrito de Mocímboa da Praia, Sérgio Cipriano, reiterou um apelo urgente para que os insurgentes que operam na província de Cabo Delgado abandonem a insurgência armada e regressem ao seio das suas comunidades. O pedido surge num momento em que a região prossegue com os complexos esforços de segurança e reconstrução pós-terrorismo.
Em entrevista à Zumbo FM Notícias, o governante sublinhou que grande parte dos elementos que compõem as fileiras dos grupos armados são, na verdade, naturais da região — os chamados “filhos da terra”. Cipriano defende a concessão de uma nova oportunidade a estes jovens, argumentando que a violência apenas prolonga o sofrimento das populações locais, bloqueia a livre circulação de pessoas e mercadorias e trava o desenvolvimento económico do distrito.
“Esta não é a melhor forma de viver”
Sérgio Cipriano dirigiu-se diretamente aos insurgentes, apelando à consciência sobre a futilidade da violência que exercem contra os seus próprios concidadãos:
“Nós, como Governo, queremos saudar a nossa população pela resiliência, depois de tanto sofrimento. Mas amamos a nossa terra, a terra que nos viu nascer. A mensagem importante é que volto novamente a insistir para que os irmãos que estão nas matas, que andam de forma indefinida e vivem enganados, que são mandados matar outros cidadãos, emboscar viaturas e atacar carros que transportam comida para o distrito, saibam que esta não é vida e não é a melhor forma de viver.”
Apelo à Consciência e à Religião
O dirigente refutou qualquer justificação religiosa para as atrocidades cometidas, salientando que nenhuma doutrina legítima incentiva o ódio ou o assassinato de inocentes. “Em qualquer religião do mundo, nenhuma Bíblia ou Alcorão ensina este tipo de convivência. Então, eu peço que peguem na mão da consciência, chamem a razão, o perdão e a paz, e regressem para casa”, apelou.
Esta intervenção não é um caso isolado, integrando uma série de apelos que o administrador tem feito publicamente ao longo do tempo.
Embora o distrito de Mocímboa da Praia registe atualmente uma melhoria na estabilidade, a sensação de insegurança permanece latente entre os habitantes. O receio de novas incursões continua presente, alimentado por incidentes violentos que ainda ocorrem em outros pontos da província de Cabo Delgado.
(Por: Bonifácio Chumuni)
