O Secretário de Estado na província do Niassa, Silva Livone, determinou a suspensão imediata das operações de várias entidades de exploração faunística e da própria direcção da Reserva Especial do Niassa. Na base desta decisão drástica está a escalada do conflito Homem-fauna bravia, traduzida na perda trágica de vidas humanas e na destruição de campos agrícolas.
A medida sancionatória foi comunicada publicamente nesta segunda-feira, durante um encontro de alto nível com os operadores que exploram os recursos faunísticos na região, com especial enfoque no maior santuário de biodiversidade de Moçambique.
O Motivo: Vidas Humanas e Machambas Destruídas
De acordo com Silva Livone, a interdição governamental é uma resposta directa à negligência e à falta de colaboração das entidades gestoras. O governante acusou os operadores de incumprirem os acordos previamente firmados, que visavam garantir a protecção e a mitigação dos riscos para as populações que residem nas zonas de conservação ou nas suas imediações.
O Executivo provincial sublinhou que esta inércia tem tido consequências devastadoras, permitindo que os ataques de animais selvagens continuem a ceifar vidas humanas e a arrasar machambas, colocando em causa a segurança e a sobrevivência alimentar das famílias rurais.
Entidades Atingidas pela Suspensão
A decisão de paralisação tem efeitos imediatos e atinge directamente quatro estruturas principais que actuam no sector da conservação e safaris na província:
- Sociedade Búfalo Safaris: Com operações localizadas no distrito de Majune;
- Sociedade Nhalikanga: Com base de actuação no distrito de Marrupa;
- Wildlife Conservation Society (WCS): Organização que desenvolve as suas actividades no distrito de Mecula;
- Direcção de Administração da Reserva Especial do Niassa: A própria entidade gestora do parque.
Um Aviso Firme contra a Priorização da Fauna
Durante a sua intervenção, Silva Livone deixou um ultimato severo. O Secretário de Estado advertiu que o Governo está preparado para agravar substancialmente as medidas punitivas caso estas organizações insistam em colocar a salvaguarda dos animais selvagens acima da segurança das populações.
O posicionamento do Governo da Província do Niassa deixa, assim, uma mensagem clara e inegociável: as políticas de conservação da biodiversidade na região norte do país não podem, sob nenhuma circunstância, sobrepor-se ao bem-estar, à segurança e à própria vida dos cidadãos moçambicanos.
(Com base na reportagem original da MZ News)
