Numa medida que visa dar o exemplo, as Forças Armadas do Haiti (FAd’H) expulsaram dois dos seus militares numa cerimónia pública conduzida pelo Ministro da Defesa, Mario Andrésol. Na base desta decisão drástica estão acusações de que os soldados se envolveram em esquemas de roubo e extorsão enquanto realizavam manobras de patrulha.
De acordo com os dados avançados pelos órgãos de comunicação social haitianos, os dois elementos agora expulsos terão aproveitado o seu estatuto para cometer infrações contra civis. Concretamente, são acusados de:
- Subtrair de forma ilícita quatro sacos de açúcar;
- Extorquir um cidadão que se encontrava vulnerável na via pública devido a uma avaria na sua viatura.
Degradação Pública e Justificação Oficial
O castigo foi aplicado à vista de todos e com a presença da imprensa. Durante o evento, os militares sofreram uma degradação pública, um ato que consistiu na remoção oficial dos seus distintivos e de todos os símbolos institucionais que ostentavam nas fardas.
Nas suas declarações, o Ministro da Defesa, Mario Andrésol, fundamentou a aplicação desta sanção rigorosa com a necessidade absoluta de salvaguardar a disciplina interna e de manter intacta a credibilidade das Forças Armadas perante a sociedade.
Polémica e Promessa de Revelações
Apesar do cariz exemplar da cerimónia, o processo rapidamente resvalou para a controvérsia. Um dos soldados expulsos não aceitou o desfecho de forma pacífica e veio a público contestar a versão apresentada pelas chefias. O ex-militar classificou todo o procedimento disciplinar como uma “encenação” do Governo e deixou a promessa de que irá, em breve, revelar a sua própria versão dos acontecimentos.
Este episódio reacendeu o debate nacional no Haiti, levantando questões profundas sobre o rigor da disciplina militar, a transparência das instituições e a forma como a imagem pública das forças de segurança do Estado está a ser gerida.
(Com base na informação original da Rádio Vision-Haiti)
