O partido no poder em Moçambique, a Frelimo, posicionou-se oficialmente contra a recente intenção da Renamo de avançar com o bloqueio de camiões e a expropriação de empreendimentos económicos sul-africanos no país. A proposta da oposição surge como uma tentativa de resposta ao repatriamento forçado de milhares de cidadãos moçambicanos da África do Sul, acusados de retirar oportunidades de emprego à população local naquele país.
Em conferência de imprensa realizada após mais uma sessão da Comissão Política da Frelimo, o porta-voz do partido, Pedro Guiliche, sublinhou que Moçambique não deve responder de forma drástica e unilateral às decisões tomadas por Pretória.
Segundo o porta-voz, embora sejam legítimos os sentimentos de repúdio face à onda de xenofobia que afeta os moçambicanos, as ações de resposta devem pautar-se sempre pelas vias legais e institucionais. Pedro Guiliche alertou que não deve tornar-se normal que cada cidadão aja conforme as suas próprias intenções, esquecendo que Moçambique é um Estado de direito.
O dirigente acrescentou ainda que não é recomendável a busca por soluções individuais ou partidárias à margem das instituições.
Para a Frelimo, qualquer medida de resposta deve ser coordenada através das instituições de Estado competentes, responsáveis por zelar pelo bem-estar dos cidadãos e pela promoção da justiça social. O partido alerta que o país se rege por leis e normas, e que responder “na mesma moeda” pode colocar em risco relações bilaterais estratégicas, bem como a própria ordem económica nacional.
A posição da Frelimo surge num momento de elevada tensão social, em que a sociedade moçambicana exige respostas firmes face à vulnerabilidade dos seus cidadãos na África do Sul.
