UGANDA — O chefe das Forças Armadas do Uganda, Muhoozi Kainerugaba, filho do Presidente Yoweri Museveni, anunciou que pretende candidatar-se à Presidência do país nas eleições de 2031.
Kainerugaba, de 52 anos, é há vários anos apontado como um dos possíveis sucessores do seu pai, que está no poder há décadas. O general também é conhecido pelas suas polémicas publicações nas redes sociais, incluindo ameaças dirigidas ao principal líder da oposição, Bobi Wine, a quem chegou a ameaçar de decapitação.
O chefe militar desempenhou um papel importante na reeleição do pai nas últimas eleições, realizadas em Janeiro, ao ordenar, segundo a reportagem, uma repressão contra opositores e o corte do acesso à internet.
A confirmação da intenção de concorrer à Presidência foi feita por Kainerugaba através de uma série de publicações na plataforma X, na noite de terça-feira.
Numa das mensagens, afirmou que pretende disputar o cargo mais alto do país em 2031 e declarou confiança numa vitória que atribuiu à vontade de Deus.
Kainerugaba acrescentou que, com o apoio do seu pai, a quem se referiu pelo título honorífico “Mzee”, espera alcançar 90% dos votos nas eleições de 2031.
Já havia anunciado candidatura
O actual chefe militar ugandês, que lidera igualmente um grupo de pressão política denominado Patriotic League of Uganda, já tinha anunciado anteriormente a intenção de disputar as eleições presidenciais realizadas em Janeiro.
No entanto, acabou por desistir da candidatura e apoiar o seu pai.
Yoweri Museveni, de 81 anos, lidera o partido governamental National Resistance Movement (NRM) e governa o Uganda desde 1986.
Ao longo dos anos, críticos têm acusado o seu Governo de várias violações dos direitos humanos, incluindo tortura, raptos e detenções arbitrárias. As autoridades ugandeses negam essas acusações.
Oposição enfrenta pressão
O principal líder da oposição, Bobi Wine, deixou o Uganda e viajou para os Estados Unidos da América no início deste ano, alegando temer pela própria vida.
Outro histórico dirigente da oposição, Kizza Besigye, encontra-se detido desde 2024 e está a ser julgado por traição.
A possibilidade de Yoweri Museveni voltar a candidatar-se às eleições também permanece em aberto.
Questionado sobre se o actual Presidente procurará um novo mandato, o porta-voz do Governo, Alan Kasujja, declarou à Reuters que, tal como tem acontecido ao longo dos anos, Museveni e o partido que lidera tomarão essa decisão quando chegar o momento.
Assim, o anúncio de Muhoozi Kainerugaba coloca novamente em evidência a questão da sucessão política no Uganda e reforça as especulações sobre o futuro da liderança do país após décadas de governo de Museveni.
