MAPUTO — Cerca de 27 unidades sanitárias da Cidade de Maputo já estão a administrar o lenacapavir injectável, uma nova opção de prevenção do HIV que tem registado uma forte adesão por parte dos utentes, sobretudo pela facilidade de administração, que requer apenas duas doses por ano.
A informação foi divulgada esta quarta-feira, 26 de Agosto, no Centro de Saúde de Xipamanine, no Distrito Municipal de Nhlamankulu, durante uma visita de trabalho de parlamentares da Alemanha e do Luxemburgo. A delegação pretendia acompanhar a implementação do novo método e avaliar o funcionamento dos serviços de prevenção do HIV.
Segundo Alice de Abreu, Vereadora de Saúde e Qualidade de Vida, a procura pelo lenacapavir tem sido superior à verificada com outras opções de prevenção, devido à possibilidade de o utente receber apenas duas administrações ao longo do ano.
“Nós estamos a ter muitos dos nossos pacientes a fazerem a opção de usar o lenacapavir injectável, que para nós é bom, diminui o número de vezes que este paciente tem que ir à unidade sanitária e ele fica protegido fazendo duas administrações por ano”, explicou.
A implementação do lenacapavir na Cidade de Maputo começou em Maio deste ano, passando a integrar o conjunto de alternativas disponíveis para a prevenção do HIV.
De Abreu explicou que os utentes são informados sobre os diferentes métodos existentes e, depois de conhecerem as vantagens de cada opção, têm a possibilidade de escolher aquela que consideram mais adequada às suas necessidades.
A estratégia de introdução do medicamento dá atenção especial a adolescentes e jovens, mulheres grávidas, populações-chave e outros grupos considerados vulneráveis. No entanto, qualquer pessoa que seja elegível pode beneficiar do método ao dirigir-se a uma unidade sanitária.
Durante a visita ao Centro de Saúde de Xipamanine, os parlamentares acompanharam o funcionamento da consulta de doentes crónicos, dos Serviços de Atendimento ao Adolescente e Jovem (SAAJ) e da consulta pré-natal. A deslocação permitiu observar directamente o atendimento prestado a diferentes grupos abrangidos pelas acções de prevenção.
A responsável destacou também a contribuição das organizações da sociedade civil na mobilização de pessoas elegíveis para a prevenção. Segundo explicou, essas organizações desenvolvem actividades de sensibilização nas comunidades, escolas e mercados, com o objectivo de informar e encaminhar potenciais beneficiários aos serviços de saúde.
“Estamos a mostrar como estamos a fazer este trabalho, a questão da geração de demanda, utilizando organizações da sociedade civil, a nível das comunidades, nas escolas, nos mercados, para trazer pacientes que sejam elegíveis para fazer a prevenção utilizando o lenacapavir”, afirmou Alice de Abreu.
Parlamentar alemão elogia atendimento
Por sua vez, Johannes Wagner, membro do Parlamento da Alemanha, considerou positiva a experiência observada no Centro de Saúde de Xipamanine e elogiou o empenho dos profissionais de saúde no atendimento aos utentes.
“Estou realmente impressionado com o trabalho que as pessoas estão fazendo aqui para dar o melhor cuidado para as pessoas”, afirmou Wagner.
O parlamentar defendeu ainda que serviços de qualidade semelhantes sejam disponibilizados noutras regiões de Moçambique.
Médico de formação, Wagner trabalhou anteriormente num hospital na Alemanha antes de ingressar na política. Durante a visita, afirmou ter tido a oportunidade de conhecer diferentes profissionais e instituições ligadas ao sector da saúde em Moçambique.
A missão da delegação alemã e luxemburguesa decorre durante uma semana e inclui encontros com profissionais de saúde e representantes do Governo. Entre os assuntos abordados estão os desafios relacionados com a malária, tuberculose e HIV, além dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde pública.
Wagner defendeu o fortalecimento da cooperação internacional para enfrentar estes desafios, considerando que a Alemanha, a Europa e o Luxemburgo têm responsabilidades no apoio a Moçambique, principalmente diante dos efeitos das mudanças climáticas e das inundações.
“Eu acho que devemos fazer ainda mais”, afirmou o parlamentar, apelando à continuidade e ao reforço do apoio internacional ao sector da saúde no país.
Autoridades defendem continuidade do apoio
Alice de Abreu avaliou de forma positiva os resultados alcançados desde a introdução do lenacapavir e defendeu a manutenção do apoio dos parceiros, considerando que ainda existem muitas pessoas elegíveis que podem beneficiar desta alternativa de prevenção.
Apesar da crescente procura, a responsável esclareceu que o lenacapavir não deve substituir os restantes métodos de prevenção do HIV.
Segundo De Abreu, é necessário continuar a promover o acesso a todas as opções actualmente disponíveis, enquanto não forem introduzidas novas alternativas capazes de reforçar as estratégias existentes de prevenção do HIV.
Fonte: AIM
