O Papa Leão XIV enviou uma carta ao Presidente da República, Daniel Chapo, manifestando preocupação com o andamento das investigações sobre o assassinato do arcebispo de Quelimane, Dom Osório Citora. Segundo a Igreja Católica, continua a existir falta de informação oficial por parte das autoridades sobre o caso.
Quase dois meses após a morte de Dom Osório Citora, ainda não são conhecidos os autores nem as motivações do crime, situação que continua a preocupar a Igreja Católica.
De acordo com a Igreja, as informações disponíveis sobre o processo têm chegado apenas através da comunicação social. Por essa razão, foi solicitado o apoio do Chefe de Estado para que sejam fornecidas atualizações sobre o desenvolvimento das investigações.
A informação foi avançada pelo arcebispo da Arquidiocese de Maputo, Dom João Carlos Nunes.
Segundo explicou, durante a visita do cardeal Pietro Parolin a Moçambique, o Santo Padre enviou uma carta ao Presidente da República. No documento, além de apresentar condolências pelo falecimento de Dom Osório Citora, o Papa expressou a preocupação da Igreja e da Conferência Episcopal de Moçambique em acompanhar o desenrolar das investigações.
Dom João Carlos Nunes afirmou que, até ao momento, a Igreja apenas tem conhecimento do que é divulgado pela imprensa e considera importante ter acesso a informações oficiais, uma vez que também é parte interessada em conhecer a verdade sobre o sucedido.
Perante a escassez de informações, a Conferência Episcopal de Moçambique decidiu adotar algumas medidas para acompanhar a situação.
Entre elas está a nomeação de dois bispos para prestar apoio ao administrador apostólico da Diocese de Quelimane, que atualmente enfrenta uma situação considerada delicada. Segundo Dom João, o objetivo é garantir maior acompanhamento do caso, apoiar a administração da diocese e contribuir para que a verdade seja apurada, além de procurar formas de prevenir acontecimentos semelhantes no futuro.
Questionado sobre a possibilidade de um padre estar envolvido no assassinato de Dom Osório Citora, Dom João Carlos Nunes afirmou que, ao longo da história da Igreja, sempre existiram casos de membros que traíram os princípios da instituição, recordando o exemplo de Judas Iscariotes.
O arcebispo defendeu, contudo, que antes de apontar responsabilidades é necessário aguardar pelos resultados das investigações. Acrescentou que, caso venha a confirmar-se o envolvimento de um sacerdote no crime, será necessária uma purificação no seio da Igreja.
A Conferência Episcopal de Moçambique prevê realizar uma assembleia extraordinária, durante a qual os bispos do país irão reunir-se para analisar o caso da morte de Dom Osório Citora.
Com o falecimento do arcebispo, a Diocese de Quelimane passou a ser administrada por um administrador apostólico, juntando-se às dioceses da Beira e de Xai-Xai, que também se encontram sem arcebispo.
