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Última Hora: Voluntários da Cruz Vermelha ameaçam encerrar delegação em Xai-Xai devido a subsídios em atraso

GAZA — Voluntários humanitários da Cruz Vermelha em Gaza ameaçam encerrar as portas da delegação provincial, localizada em Xai-Xai, na sequência de uma greve motivada pelo atraso no pagamento de subsídios relacionados com o trabalho desenvolvido durante a assistência às vítimas das cheias.

A ameaça de encerramento surgiu na tarde desta sexta-feira, com os voluntários a exigirem o pagamento dos valores em atraso. Segundo os membros do grupo, existem subsídios referentes a vários meses de trabalho que ainda não foram pagos.

“Eles são funcionários, nós somos voluntários. Nós queremos o nosso dinheiro ou trancamos isto”, afirmou um dos voluntários, citado no relato.

Os voluntários dizem que os valores em dívida resultam dos subsídios acordados no âmbito das operações de assistência às populações afetadas pelas cheias que atingiram a província de Gaza.

Um dos membros explicou que, desde janeiro, os voluntários têm estado envolvidos nas atividades sem receber integralmente os valores acordados.

“Desde janeiro para cá estamos a trabalhar, o nosso dinheiro por receber é de 10.500. De janeiro para fevereiro. Mas só recebemos 6.100. Então disseram que estão no dever 4.500”, relatou.

Além da questão financeira, os voluntários acusam a Direção do Conselho Executivo Provincial da Cruz Vermelha de adotar uma postura considerada arrogante e de fazer ameaças, situação que, segundo eles, terá provocado uma quebra de confiança entre os membros da organização humanitária ao nível local.

Direção confirma dívida

O Presidente do Conselho Executivo da Cruz Vermelha em Gaza, Manuel Amone, confirmou a existência de valores em dívida aos voluntários, mas afirmou não ter, neste momento, dados precisos sobre o montante total, o número exato de voluntários abrangidos ou a data em que os pagamentos poderão ser efetuados.

Xai-Xai e Mandlakazi estão entre os distritos onde, segundo a direção provincial, ainda existem situações pendentes relacionadas com o pagamento dos subsídios.

Questionado sobre o valor da dívida em Xai-Xai, Manuel Amone estimou que o montante esteja entre 160 mil e 190 mil meticais, embora tenha admitido não ter naquele momento a informação exata.

“Para Xai-Xai, estimo que a dívida esteja entre 160 e 190 mil meticais. Não tenho memória agora”, respondeu o responsável.

Presidente rejeita acusações de arrogância

Sobre as acusações de arrogância, ameaças e alegada crise interna na instituição, Manuel Amone rejeitou as acusações, considerando-as infundadas.

Segundo o responsável, as acusações constituem uma tentativa de “denigrar” a sua imagem e a da instituição que dirige.

A Cruz Vermelha conta, ao nível provincial, com mais de 850 voluntários. Contudo, os voluntários mobilizados especificamente para a resposta às cheias pertenciam aos distritos de Xai-Xai, Chókwè, Chibuto, Guijá, Manjacaze e Massangena.

Nessas localidades, permanecem casos relacionados com subsídios que ainda não foram pagos, situação que está na origem da atual contestação dos voluntários.

O grupo mantém a ameaça de encerrar as portas da delegação em Xai-Xai caso a situação dos pagamentos não seja resolvida.

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