WhatsApp Image 2026 09 07 at 15.51.0628129

Albino Forquilha devia ser co-arguido e não testemunha no processo contra Venâncio Mondlane

O presidente do Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), Albino Forquilha, deveria ser constituído co-arguido, e não arrolado como testemunha, no processo em que Venâncio Mondlane, líder da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), é arguido, defende uma fonte sénior da Procuradoria-Geral da República (PGR), citada pelo Canal de Moçambique.

A posição surge no âmbito do processo relacionado com as manifestações pós-eleitorais de 2024, na sequência das eleições gerais de 9 de Outubro de 2024. Segundo a fonte, o Ministério Público (MP) considerou dirigentes e militantes do PODEMOS como promotores das manifestações, circunstância que, na sua interpretação, os tornaria passíveis de responsabilização criminal.

A mesma fonte considera que a decisão do MP de não proceder criminalmente contra Forquilha e outros dirigentes do PODEMOS constitui uma alegada violação do princípio da indisponibilidade. Segundo essa interpretação, o magistrado responsável pelo processo não poderia abdicar da acção penal em relação aos militantes apontados como indiciados.

A fonte acrescenta que os indivíduos em causa não deveriam ser chamados a depor como testemunhas, alegando que as circunstâncias relacionadas com o processo poderiam comprometer a sua capacidade para prestar um depoimento considerado isento e sincero.

Na avaliação atribuída à fonte, a actuação e as decisões do Ministério Público constituiriam ainda uma alegada violação dos princípios da legalidade, objectividade e isenção que caracterizam a autonomia daquele órgão.

Por isso, a fonte defende que o Ministério Público não deveria ter arrolado Albino Forquilha como testemunha, mas sim constituí-lo arguido.

Forquilha é alvo de uma acção cível

Para sustentar o seu entendimento, a fonte recorda que o Ministério Público intentou uma acção de indemnização contra Albino Forquilha e o PODEMOS.

A fonte considera igualmente que terá sido desrespeitado o comando previsto no n.º 3 do artigo 307 do Código de Processo Penal, relativo às diligências que devem ser realizadas durante a instrução, tanto para apurar elementos que possam demonstrar a culpabilidade dos arguidos como aqueles que possam contribuir para demonstrar a sua inocência ou irresponsabilidade.

Além de Albino Forquilha, o Ministério Público arrolou como testemunhas Duclésio dos Santos Chiço, porta-voz do PODEMOS, o Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), o Fundo de Estradas e a Rede Viária de Moçambique (REVIMO).

Cinco crimes imputados a Venâncio Mondlane

Segundo a publicação, nos autos o Ministério Público acusa Venâncio Mondlane da prática de cinco crimes: apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública a um crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.

De acordo com a mesma matéria, o crime considerado mais grave é o incitamento ao terrorismo, cuja moldura penal indicada pelo jornal varia entre 20 e 24 anos de prisão.

A acusação terá como base 24 documentos impressos e oito dispositivos de armazenamento USB, vulgarmente conhecidos como flash. Dois desses dispositivos terão sido entregues pela Rede Viária de Moçambique (REVIMO), empresa responsável pela gestão das portagens.

Forquilha e Mondlane foram aliados

Antes da ruptura política entre os dois, Venâncio Mondlane e Albino Forquilha eram aliados, tendo o PODEMOS apoiado a candidatura presidencial de Mondlane nas eleições gerais de 2024.

Segundo a publicação, essa aliança contribuiu para a eleição de 43 deputados do PODEMOS, permitindo ao partido passar de uma organização extraparlamentar para a condição de principal partido da oposição, estatuto anteriormente ocupado pela RENAMO desde as primeiras eleições multipartidárias realizadas em Moçambique, em 1994.

As divergências entre Mondlane e Forquilha começaram quando, segundo o jornal, o presidente do PODEMOS abandonou a estratégia de contestação defendida por Mondlane e passou a adoptar uma posição de maior aproximação à Frelimo.

Forquilha já afirmou que irá prestar depoimento sobre aquilo que diz ter presenciado durante as manifestações contra os resultados eleitorais, na qualidade de testemunha.

Julgamento foi adiado

O julgamento de Venâncio Mondlane estava inicialmente marcado para 6 de Outubro, mas foi adiado na sequência de um pedido apresentado pelo líder da ANAMOLA, alegando “incompatibilidade de agenda”.

O porta-voz do Tribunal Supremo, Pedro Nhatitima, explicou que o pedido foi remetido ao Ministério Público para emissão de parecer e que a Secção Criminal do Tribunal Supremo deverá decidir, em momento oportuno, se concorda ou não com o adiamento.

Nhatitima explicou ainda que o tribunal não poderia tomar a decisão sem ouvir a parte interessada e o Ministério Público. Segundo o magistrado, depois de recebido o parecer do MP, caberá à Secção Criminal, tendo igualmente em conta a sua própria agenda, marcar uma nova data que seja adequada tanto ao arguido como ao tribunal.

Nota: a afirmação de que Albino Forquilha “devia ser co-arguido” é a posição atribuída pela matéria a uma fonte sénior da PGR; não é apresentada aqui como uma conclusão judicial sobre a responsabilidade de Forquilha. A notícia foi publicada na edição de 16 de Setembro de 2026 do Canal de Moçambique, na página 5.

Outras Notícias do Autor

1682671098823

Procuradoria no encalço da filha do governador da Zambézia por alegado desvio de 10 milhões de meticais

manchete 1280x720 whatsapp wordpress 1

Quinito Jr pede desculpas a Faizal Sidat e à FMF e anuncia saída da direcção do FC de Montepuez

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *