O académico Luís Canhemba lançou, na noite desta quarta-feira, em Maputo, a obra “Na Sombra do Poder – O Peso da Dívida Pública no Futuro de Moçambique”, um livro dedicado à análise da dívida pública interna e dos seus efeitos sobre a economia nacional.
Com 607 páginas, a obra resulta de uma investigação que abrange o período entre 2010 e 2023 e procura ir além da simples apresentação dos números da dívida. Para isso, o autor recorre a ferramentas econométricas para analisar as relações entre a dívida pública, o crédito ao sector privado, as taxas de juro e o crescimento económico.
Segundo Canhemba, que actualmente exerce as funções de director do Gabinete de Informação, o stock da dívida pública interna atingiu, em 2023, 313 mil milhões de meticais, correspondente a 31 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
O valor representa um aumento significativo em relação a 2010, quando a dívida pública interna se situava em 35 mil milhões de meticais, equivalentes a cerca de 7 por cento do PIB.
Impacto sobre o sector privado
Entre as principais conclusões da investigação está a identificação de uma relação negativa entre o serviço da dívida pública interna e o crédito ao sector privado.
A análise indica que a absorção de recursos financeiros pelo Estado pode reduzir o espaço disponível para o financiamento de empresas e de actividades produtivas.
O autor destaca também a relação existente entre o serviço da dívida e as taxas de juro, chamando atenção para os efeitos que o custo do dinheiro pode provocar sobre empresas, famílias e investimento.
Na perspectiva apresentada por Canhemba, o crescimento económico deve igualmente fazer parte da resposta aos desafios relacionados com a dívida pública, através do aumento da produção, das exportações, do investimento e da capacidade produtiva do país.
Durante a apresentação da obra, o académico defendeu uma abordagem responsável perante o endividamento, mas considerou que a situação não deve retirar a perspectiva de desenvolvimento.
“A dívida é uma realidade que devemos enfrentar com seriedade, mas ela não deve retrair a esperança”, afirmou Luís Canhemba.
Fonte: Jornal Notícias
