A mineradora australiana Syrah Resources registou uma forte recuperação na produção de grafite da mina de Balama, em Cabo Delgado, durante o primeiro semestre de 2026, período em que a produção quase quadruplicou face ao mesmo período do ano passado.
A empresa prepara agora uma nova etapa do seu projecto: as primeiras vendas comerciais nos Estados Unidos da América (EUA) de material destinado a baterias de veículos eléctricos, produzido a partir de grafite extraído em Moçambique.
Segundo o relatório financeiro semestral divulgado esta quarta-feira, 9 de Setembro, e citado pela Lusa, a mina de Balama produziu aproximadamente 25.800 toneladas de grafite entre Janeiro e Junho de 2026.
No período homólogo de 2025, a produção tinha sido de apenas 6.500 toneladas.
Também houve um crescimento significativo nas vendas e expedições destinadas aos clientes. Nos primeiros seis meses deste ano, o volume atingiu cerca de 26.600 toneladas, contra apenas 1.800 toneladas no mesmo período do ano anterior.
Produção recupera, mas mercado continua desafiante
A Syrah Resources considera que o desempenho operacional registado nos primeiros seis meses de 2026 representa uma melhoria significativa em relação ao mesmo período de 2025.
No ano passado, as operações da mina foram fortemente prejudicadas por uma paralisação prolongada, que afectou a produção.
Apesar da recuperação registada este ano, a empresa continua a enfrentar dificuldades relacionadas com a procura moderada de grafite natural fora da China, o excesso de oferta existente no mercado mundial e a forte concorrência dos produtores chineses.
Unidade nos Estados Unidos avança
Paralelamente à recuperação da produção em Balama, a Syrah avançou com as operações da sua unidade industrial de Vidalia, localizada no estado norte-americano da Louisiana.
É nesta instalação que a empresa produz material anódico activo (AAM), um componente fundamental utilizado na fabricação de baterias para veículos eléctricos.
Durante o primeiro semestre de 2026, a unidade de Vidalia produziu aproximadamente 150 toneladas de AAM.
A produção foi destinada principalmente a testes de qualificação com clientes e demonstrações industriais, numa fase em que a empresa procura aperfeiçoar o produto e preparar a unidade para a actividade comercial.
As equipas da Syrah concentraram esforços na melhoria dos processos produtivos, no aumento da automatização, no reforço da fiabilidade operacional da instalação e no cumprimento das especificações técnicas exigidas pelos clientes.
Segundo a empresa, as campanhas de produção realizadas permitiram que as principais áreas da unidade funcionassem próximas da capacidade prevista.
Primeiras vendas comerciais previstas para 2026
Com os progressos alcançados em Vidalia, a Syrah Resources prevê iniciar as primeiras vendas comerciais de material anódico produzido na unidade durante o segundo semestre de 2026.
A empresa considera esta fase importante para conquistar novos compromissos comerciais e criar as condições necessárias para avançar com a expansão planeada da unidade industrial.
A estratégia passa por estabelecer uma ligação entre a produção de grafite em Balama, Moçambique, e a transformação desse recurso em materiais destinados ao fabrico de baterias nos Estados Unidos.
O plano procura aproveitar o crescente interesse de Governos e fabricantes de automóveis em desenvolver cadeias de fornecimento de matérias-primas e componentes para baterias que apresentem menor dependência da China.
Syrah quer aumentar produção em Balama
Em Maio deste ano, a Syrah Resources comunicou aos seus accionistas a intenção de aumentar a produção anual da mina de Balama para entre 200 mil e 240 mil toneladas.
A empresa considera que a expansão da indústria mundial de baterias será um dos principais factores capazes de sustentar a procura por grafite no futuro.
A mineradora australiana classifica Balama como “o maior recurso de grafite de elevada qualidade fora da China”.
Segundo a empresa, o depósito possui uma vida útil superior a 50 anos e uma capacidade instalada para produzir até 350 mil toneladas de grafite por ano.
Prejuízo aumenta no primeiro semestre
Apesar da recuperação da produção e do aumento das vendas e expedições, a situação financeira da Syrah Resources deteriorou-se durante os primeiros seis meses de 2026.
A empresa registou um prejuízo de 107,9 milhões de dólares, valor significativamente superior aos 59,8 milhões de dólares registados no mesmo período de 2025.
A deterioração dos resultados deve-se sobretudo a uma imparidade de 35,2 milhões de dólares nos activos de Vidalia.
A imparidade surgiu na sequência da revisão das perspectivas do mercado para os materiais anódicos.
Outro factor relevante foi o aumento dos encargos financeiros, que chegaram a 23,9 milhões de dólares durante o primeiro semestre.
Assim, enquanto a Syrah regista uma recuperação significativa na produção de grafite em Balama e avança na preparação da unidade de Vidalia para vendas comerciais, a empresa continua a enfrentar desafios relacionados com as condições do mercado mundial e com a sua situação financeira.
