Quatro vítimas de terrorismo libertadas após pagamento de resgate em Cabo Delgado

Maputo, 7 de Outubro – Pelo menos quatro pessoas que tinham sido raptadas por terroristas islamistas na passada quarta-feira, na aldeia de Maulela, Posto Administrativo de Ntamba, distrito de Nangade, norte da província de Cabo Delgado, foram libertadas no domingo após o pagamento de um resgate de valor não especificado.

Segundo fontes citadas pelo jornal independente Carta de Moçambique, os quatro cidadãos recuperaram a liberdade depois de as respectivas famílias terem efectuado o pagamento exigido pelos sequestradores.

Durante o mesmo ataque, além do rapto das quatro pessoas, os terroristas decapitaram uma pessoa e saquearam diversos produtos pertencentes a estabelecimentos comerciais locais.

Resgate de 185 mil meticais

Num dos incidentes mais recentemente reportados, os terroristas terão libertado cinco vítimas depois de receberem um resgate de 185 mil meticais, equivalente a cerca de 2.800 dólares norte-americanos, considerando a actual taxa de câmbio.

As fontes explicaram ainda que a população da região continua a viver sob um clima de medo e insegurança.

Segundo os relatos, muitos residentes abandonam as suas casas durante a noite para procurar locais onde possam esconder-se, regressando apenas depois do nascer do sol.

Cabo Delgado concentra maioria dos deslocados

De acordo com a avaliação mais recente da Matriz de Rastreamento de Deslocados (DTM) da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Cabo Delgado continua a ser a província moçambicana que acolhe o maior número de pessoas deslocadas internamente.

A província representa 68% do total nacional de deslocados internos, correspondente a 449.876 pessoas.

Organizações não-governamentais alertam que os grupos insurgentes continuam a recorrer a raptos selectivos como forma de realizar recrutamentos forçados, extorquir dinheiro e obter mão-de-obra forçada ao longo de importantes rotas marítimas e costeiras.

Violência continua a provocar mortes e deslocamentos

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), a violência contra civis continua a ser o principal factor por detrás destes acontecimentos.

Mais de 59% dos casos registados envolvem agressões armadas directas.

De acordo com os dados citados, estes actos de violência provocaram recentemente pelo menos 10 mortes de civis e resultaram no rapto de 72 pessoas.

Ao mesmo tempo, os ataques continuam acompanhados por saques generalizados, invasões de aldeias e extorsão, factores que dificultam o acesso das organizações humanitárias às populações afectadas e provocam novas deslocações de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Mais de 6.600 mortos desde o início do conflito

Dados do Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) indicam que o conflito em Cabo Delgado já provocou mais de 6.600 mortes em mais de 2.400 eventos violentos desde o seu início.

A grande maioria das mortes é atribuída a terroristas ligados ao Estado Islâmico.

A continuidade dos raptos, ataques contra civis, saques e extorsões mantém a população de várias zonas de Cabo Delgado sob forte pressão, ao mesmo tempo que agrava a crise humanitária e dificulta os esforços de assistência às comunidades afectadas.

Fonte: AIM News

Outras Notícias do Autor

vecteezy wooden gavel on courthouse desk symbol of justice law and 70701515 1 scaled

Dois homens condenados a 16 anos de prisão por queimar jovem nas Mahotas

vecteezy unconscious patient lying in hospital emergency room bed 49462064 1 scaled

Homem que afirma ter “encontrado Jesus” durante coma de 18 dias revela frase que diz ter ouvido no céu

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *