O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) está a questionar os critérios utilizados pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) na contratação de novos profissionais, numa altura em que a companhia aérea dispensou mais de 130 trabalhadores no âmbito do seu processo de reestruturação.
Num artigo divulgado este domingo, 1 de Novembro, a organização observa que, embora a empresa tenha justificado os despedimentos com a necessidade de reduzir os custos operacionais, continuou a recorrer à contratação de profissionais externos para ocupar posições estratégicas.
Entre as áreas abrangidas pelas novas contratações, o CDD destaca as direcções Financeira e de Compliance, bem como os departamentos de Contabilidade, Tesouraria e Aprovisionamento.
A organização chama igualmente a atenção para a participação de Erica Varinde, proveniente da Vodacom/M-Pesa e sem qualquer vínculo contratual com a LAM, numa formação relacionada com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Na avaliação do CDD, a profissional poderá estar a ser preparada para ocupar o cargo de directora comercial da companhia aérea.
Perante este cenário, o CDD considera necessário que a LAM esclareça os critérios de selecção dos novos quadros, os custos financeiros associados às contratações e a forma como foram avaliadas as competências dos trabalhadores internos que acabaram por ser afastados.
A organização questiona também a concentração de profissionais com experiência anterior na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) em funções estratégicas na companhia aérea. Embora reconheça que essa circunstância não constitui, por si só, prova de qualquer irregularidade, defende que os processos de recrutamento devem ser conduzidos com transparência.
O CDD recorda ainda que, em 2025, o Estado injectou 1,7 mil milhões de meticais na LAM. Entretanto, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) passaram a integrar a estrutura accionista da companhia, com investimentos de 36 milhões, 22 milhões e 22 milhões de dólares, respectivamente.
Na perspectiva da organização, a reestruturação da LAM deve orientar-se por critérios objectivos, transparência e valorização dos recursos humanos, sobretudo por envolver a aplicação de fundos públicos.
Fonte: MZ News, com base num artigo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD).
