MAPUTO — A RENAMO marcou para os dias 21 e 22 de Outubro, na cidade de Maputo, uma reunião do Conselho Nacional do partido, num momento em que a principal força da oposição debate a sua situação interna e apresenta propostas para responder aos problemas políticos e económicos do país.
A reunião foi anunciada na manhã desta sexta-feira, durante uma conferência de imprensa convocada pela RENAMO para abordar a situação política e económica de Moçambique. Contudo, a principal novidade acabou por estar relacionada com a vida interna da organização.
O porta-voz da RENAMO, Marcial Macome, anunciou a convocação do Conselho Nacional, explicando que o encontro terá como objectivo discutir, entre outros assuntos, a situação do país e dos moçambicanos.
“A reunião vai discutir a situação do país e dos Moçambicanos”, afirmou.
Embora a agenda interna detalhada do encontro ainda não tenha sido divulgada, a possibilidade de realização de um congresso extraordinário do partido continua, para já, fora de questão.
Sobre esta matéria, Marcial Macome esclareceu que caberá ao próprio Conselho Nacional tomar uma eventual decisão.
“Caberá ao Conselho Nacional, que é soberano, pronunciar-se sobre este assunto”, afirmou.
RENAMO critica gestão económica do Governo
Durante a conferência de imprensa, a RENAMO também apresentou críticas à situação política e económica do país.
O partido acusou o Governo de má gestão da dívida pública e de estar a abandonar sectores considerados estratégicos para a economia nacional, nomeadamente a agricultura.
Na avaliação da RENAMO, as políticas governamentais têm privilegiado o extractivismo de recursos minerais e hidrocarbonetos, em detrimento de sectores produtivos com impacto directo na vida da população.
Perante o que considera ser uma situação económica difícil e um aumento do custo de vida, a RENAMO apresentou uma proposta denominada “Agenda de emergência nacional”.
Quatro pilares para reduzir o custo de vida
A proposta apresentada pelo partido está estruturada em quatro pilares, que, segundo a RENAMO, devem contribuir para aliviar os encargos suportados pelas famílias e estimular a economia.
O primeiro consiste no alívio fiscal dos bens de primeira necessidade, com o objectivo de reduzir a pressão dos impostos sobre produtos essenciais ao consumo da população.
O segundo pilar prevê a criação de um fundo de apoio ao empreendedorismo, destinado a apoiar iniciativas empresariais e estimular a criação de oportunidades económicas.
A terceira proposta passa pelo redimensionamento das receitas provenientes da indústria mineira, de modo a canalizar recursos para o apoio às pequenas e médias empresas.
Por último, a RENAMO defende a priorização da agricultura e da indústria produtiva, procurando reforçar sectores capazes de gerar emprego, produção e rendimento para a população.
A apresentação destas propostas ocorre numa altura em que a RENAMO se prepara para reunir o seu Conselho Nacional, encontro que deverá também permitir ao partido avaliar a situação política e económica do país e discutir os seus próximos passos.
