MAPUTO — O presidente da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), Venâncio Mondlane, lançou duras críticas ao partido no poder, responsabilizando exclusivamente a FRELIMO pelo “subdesenvolvimento, pela miséria e pelo descaminho” em que o país se encontra. Num vídeo partilhado na conta oficial do Facebook de Venâncio Mondlane, presidente da ANAMOLA, o líder político fez um balanço contundente do impacto da corrupção nas perdas económicas e sociais de Moçambique desde a independência.
Segundo Mondlane, o país perdeu cerca de 50 mil milhões (biliões) de dólares em actos de corrupção até aos dias de hoje. O presidente da ANAMOLA assegura que, com este montante, Moçambique “já poderia ter uma linha férrea com um comboio de alta velocidade que ligasse Maputo a Cabo Delgado”, além de uma rede de banda de fibra ótica a cobrir todo o trajecto nacional (norte-sul e este-oeste).
No que toca às infraestruturas públicas e sociais, o orador sublinhou que os fundos desviados teriam transformado a realidade nacional. Mondlane destacou que Moçambique teria hoje, “sem sombra de dúvida, pelo menos três a quatro hospitais universitários” e três hospitais regionais com qualidade superior à do actual Hospital Central. O político garantiu ainda que a nação desfrutaria de melhores níveis de educação, saúde e protecção social.
O líder da ANAMOLA lamentou profundamente o facto de Moçambique estar listado entre as nações mais carenciadas, afirmando ser actualmente o “segundo país mais pobre do mundo”. Para Venâncio Mondlane, esta classificação internacional deve-se “exclusivamente a um partido, e esse partido chama-se FRELIMO”, exigindo que isso “fique claro para todo o mundo”.
Num tom irónico e mordaz a fechar a sua intervenção, Mondlane sugeriu que a formação política no poder merecia ser galardoada pela sua inépcia. “Se tivéssemos que atribuir uma medalha no pódio daqueles que são peritos em desorganizar um país, certamente que a FRELIMO estaria no pódio olímpico dos três maiores”, declarou.
O líder político concluiu a sua abordagem afirmando que essa “medalha merecida” deveria ter-lhe sido oferecida durante a sua recente reunião de quadros, como prémio por se destacarem entre as instituições a nível mundial “que melhor sabem desorganizar um país” e que “melhor organizadas são para desorganizar uma nação”.
