Felisberto Dinis Navalha assumiu oficialmente o cargo de Governador do Banco de Moçambique, depois de tomar posse esta quarta-feira, perante o Presidente da República, Daniel Chapo.
O novo responsável pelo banco central entra em funções com o desafio de melhorar o desempenho da instituição e superar o legado deixado pelo seu antecessor, Rogério Zandamela, que esteve à frente do Banco de Moçambique durante dez anos.
A cerimónia de tomada de posse contou com a presença de membros do Governo e de dirigentes da Presidência da República.
Durante a ocasião, Daniel Chapo recordou os vários choques económicos que marcaram os dez anos de liderança de Zandamela no Banco de Moçambique.
O Presidente lembrou que Rogério Zandamela assumiu o comando da instituição em 2016, num período particularmente difícil para Moçambique, marcado por uma grave crise económica e financeira na sequência da revelação das chamadas dívidas ocultas.
Segundo Chapo, quando o país ainda procurava recuperar dos efeitos daquele primeiro choque, surgiu um novo desafio de grandes proporções: a pandemia da COVID-19, que provocou fortes impactos tanto na economia moçambicana como na economia mundial.
Mas os desafios não terminaram com a pandemia.
Posteriormente, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, bem como o conflito entre Israel e Palestina, contribuíram para aumentar as pressões sobre os preços internacionais, particularmente os preços dos combustíveis, colocando novamente a economia moçambicana perante novos constrangimentos.
Navalha evita prometer mudanças imediatas
Enquanto o Presidente da República já definiu as expectativas para o novo ciclo do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha adoptou uma postura cautelosa quando questionado sobre as mudanças que pretende implementar.
Questionado sobre qual será a principal inovação que pretende introduzir durante a sua gestão, o novo Governador afirmou que precisa primeiro de conhecer e avaliar a actual realidade da instituição antes de anunciar alterações.
“Saí da casa há quatro anos. Para hoje é difícil dizer o que vou mudar. Preciso de tempo para avaliar”, declarou Felisberto Navalha.
A declaração reflecte a intenção do novo Governador de, nesta fase inicial, evitar promessas de mudanças imediatas e procurar primeiro avaliar a situação do Banco de Moçambique antes de definir as medidas que poderão marcar a sua gestão.
Felisberto Dinis Navalha inicia, assim, o seu mandato num contexto de fortes expectativas, depois de uma década de liderança de Rogério Zandamela marcada por sucessivos choques económicos internos e externos.
