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Advogado da família Guebuza diz que processo das dívidas ocultas tinha como alvo antigo Presidente e o seu círculo

O advogado Isalcio Mahanjane, ligado à defesa da família do antigo Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, voltou a pronunciar-se sobre o processo das chamadas dívidas ocultas, defendendo que o caso judicial tinha como verdadeiro propósito atingir o antigo Chefe de Estado e, posteriormente, pessoas próximas do seu círculo.

Segundo o causídico, não existem, na sua perspectiva, dúvidas de que todo o processo judicial foi conduzido com o objectivo de atingir Armando Guebuza e, a partir dele, os seus familiares, amigos e pessoas que trabalharam com o antigo Presidente durante o período em que esteve no poder.

Mahanjane afirma que essas pessoas chegaram a ser tratadas como se fossem indivíduos dos quais a sociedade deveria manter distância, ao ponto de parecer que falar com elas constituía quase um acto proibido ou até criminoso.

Advogado compara julgamento a “reality show”

Na sua reflexão sobre o caso, o advogado classifica o julgamento das dívidas ocultas como um verdadeiro “reality show”.

Na sua leitura, depois da realização do julgamento, os acontecimentos que se seguiram teriam acabado por reforçar aquilo que vinha defendendo anteriormente.

Mahanjane afirma que, posteriormente, foram desencadeadas várias iniciativas que, na sua interpretação, procuravam esconder ou minimizar determinadas questões relacionadas com o processo.

O advogado sustenta ainda que famílias e indivíduos passaram a ser julgados não apenas pelas instituições judiciais, mas também pela própria opinião pública, ficando submetidos ao chamado “juízo popular”.

Ao mesmo tempo, segundo a sua versão, teriam ocorrido movimentações destinadas a proteger determinadas pessoas que, na sua opinião, estavam claramente identificadas no contexto do processo.

Processos continuam em aberto

Passado algum tempo desde o início de todo este processo, Mahanjane questiona a demora na resolução de vários casos que, segundo afirma, continuam pendentes.

O causídico diz que algumas das pessoas envolvidas acabaram por perder oportunidades na vida pessoal e profissional, ficando, na sua perspectiva, praticamente impedidas de serem nomeadas para cargos ou de receberem responsabilidades.

Para Mahanjane, existe uma diferença significativa entre a rapidez demonstrada pelas autoridades quando se tratava de perseguir ou prender pessoas e a lentidão que, segundo ele, actualmente caracteriza alguns dos processos.

“A letargia contrasta com a celeridade verificada na hora de perseguir, prender, etc.”

“Máquina” do julgamento estaria protegida

O advogado estabelece ainda um contraste entre aqueles que foram afectados pelo processo e os que, na sua visão, participaram ou estiveram ligados à estrutura que conduziu o chamado “reality show”.

Segundo Mahanjane, enquanto algumas pessoas continuam a enfrentar consequências decorrentes do caso, a “máquina” utilizada durante o julgamento estaria protegida.

Na sua publicação, afirma que algumas dessas pessoas permanecem em diferentes sectores e posições, enquanto outras estariam “para lá do sol”. Refere também indivíduos que, segundo a sua alegação, se encontram em academias ou ocupam posições que lhes permitem influenciar ou até “maquinar processos”.

“Perpétua pena” para os “Guebuzistas”

Na parte final da sua reflexão, Mahanjane afirma que o caso das dívidas ocultas deixou consequências profundas, incluindo aquilo que descreve como perda de liberdade e sofrimento para várias pessoas.

O advogado considera particularmente grave o facto de, na sua leitura, algumas prisões e privações de liberdade terem ocorrido de forma arbitrária e “a sangue frio”.

Para ele, o processo não terminou com o julgamento, uma vez que as suas consequências continuam a afectar pessoas associadas ao antigo Presidente Armando Guebuza.

“A triste realidade é a de que o calvário das dívidas, que custou sangue, privação de liberdades (…) parece ter vindo para ficar e com ele a perpétua pena para os ‘Guebuzistas’.”

Mahanjane termina a sua publicação afirmando que as críticas às suas posições não alteram aquilo que considera serem os factos do caso.

“Digam os bonhonhos que quiserem… factos são factos (por sinal teimosos)… e não carecem de discussão.”

As declarações representam a posição e interpretação do advogado sobre o processo das dívidas ocultas e as suas consequências, não constituindo, por si só, uma conclusão judicial sobre a existência de uma estratégia deliberada para atingir Armando Guebuza e o seu círculo.

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