A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) apelou às autoridades judiciais do país para que esclareçam, com urgência, as circunstâncias que envolveram a morte do Bispo Osório Citora Afonso, da Diocese de Quelimane.
Num comunicado divulgado na sexta-feira, 4 de Setembro, após a realização da sua Assembleia Plenária Extraordinária, os bispos afirmaram que a Igreja Católica e a sociedade moçambicana continuam à espera de respostas, três meses depois da morte do prelado.
Bispo foi encontrado morto na sua residência
O Bispo Osório Afonso foi encontrado morto na sua residência depois de um incidente envolvendo disparos de arma de fogo ocorrido nas primeiras horas de 6 de Junho.
O prelado foi sepultado no dia 13 de Junho, no cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, após a realização de uma Missa Exequial.
Três meses depois do homicídio, os membros da CEM dizem continuar “perplexos” pelo facto de os autores e as circunstâncias do crime ainda não terem sido esclarecidos.
Os bispos classificaram o assassinato como um acontecimento sem precedentes na história da Igreja Católica em Moçambique.
“Quem matou exactamente o Bispo Osório?”
No comunicado, os líderes da Igreja Católica levantaram várias questões sobre o caso e pediram que as autoridades continuem a investigação.
“Quem matou exactamente o Bispo Osório? Quem foram os autores intelectuais e materiais desta morte violenta? Quais foram os motivos por detrás do assassinato?”
Segundo os bispos, três meses após a morte, continuam “à espera de respostas a estas perguntas”.
A CEM apelou ao poder judicial para que não abandone as investigações, defendendo que a procura pela verdade poderá transformar-se num “caminho de esperança, reconciliação e purificação”, capaz de contribuir para a cura daquela que classificaram como uma “ferida atroz”.
Para os líderes católicos, a morte do Bispo Osório representou “um duro golpe no coração da Igreja Católica em Moçambique” e continua a provocar sofrimento no seio da Igreja.
Os bispos recordaram o compromisso do prelado com a vida, a paz e o seu povo, manifestando preocupação particular pelo facto de ter sido assassinado dentro da sua própria residência.
Igreja agradece solidariedade recebida
A CEM aproveitou igualmente o comunicado para agradecer as manifestações de solidariedade provenientes de Moçambique e de diferentes partes do mundo após a morte do Bispo Osório.
Os bispos destacaram particularmente o Papa Leão XIV, pela proximidade e preocupação demonstradas perante a situação.
Segundo a CEM, o Papa acompanhou o caso desde o início e encorajou a Igreja em Moçambique a transformar a tragédia num “caminho de conversão, purificação e renovação”.
No dia 3 de Julho, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano o presidente da CEM e Arcebispo da Arquidiocese de Nampula, Inácio Saure, o vice-presidente da CEM e Arcebispo da Arquidiocese de Maputo, João Carlos Hatua Nunes, e o Arcebispo emérito da Arquidiocese da Beira, Claudio Dalla Zuanna.
De acordo com os bispos católicos, durante o encontro, o Papa manifestou a sua proximidade à Igreja em Moçambique e o interesse em ver esclarecidas as circunstâncias e as causas da morte do Bispo Osório.
No comunicado, os membros da CEM disseram ter-se sentido “verdadeiramente acompanhados por toda a Igreja” durante o encontro com o Santo Padre e outros responsáveis do Vaticano.
Morte também levou Igreja a reflectir sobre a sua missão
Para além da exigência de justiça, os líderes da Igreja Católica afirmaram que a morte do Bispo Osório levou a Igreja em Moçambique a realizar uma reflexão sobre a sua própria vida e missão.
Os bispos reconheceram a existência de desafios internos a nível nacional, diocesano, paroquial e comunitário, defendendo que a Igreja deve analisar a sua realidade à luz do Evangelho.
Segundo a CEM, esses desafios podem afectar negativamente a forma como a sociedade olha para a Igreja quando o seu testemunho é comprometido.
“À luz da fé, os problemas não são apenas desafios; podem também tornar-se oportunidades de renovação.”
Com base nessa perspectiva, os bispos apelaram a um processo de reconstrução moral e espiritual.
Apelo à renovação espiritual
A CEM desafiou os católicos a reflectirem sobre os fundamentos sobre os quais constroem as suas vidas e a sua missão.
Os bispos salientaram a necessidade de Bispos, Sacerdotes, homens e mulheres Religiosos, Seminaristas e fiéis leigos aprofundarem a sua relação com Deus e colocarem a caridade fraterna no centro das suas actividades.
Também defenderam um renovado compromisso de caminhar juntos, fortalecer a fraternidade, partilhar a vida e tornar mais credível a missão evangelizadora da Igreja.
Os líderes católicos apelaram ainda à comunidade cristã para colocar Deus em primeiro lugar na sua vocação e missão e para se tornar uma testemunha credível da alegria e da esperança do Evangelho.
Dois prelados vão apoiar a Diocese de Quelimane
A Conferência Episcopal de Moçambique anunciou igualmente medidas para apoiar a Diocese de Quelimane, que, segundo os bispos, foi profundamente afectada pela perda do seu pastor.
Face à complexidade de governar a diocese nas actuais circunstâncias, os bispos decidiram nomear dois prelados para prestar assistência fraterna ao Administrador Apostólico, Bispo Estêvão Ângelo Fernando.
Os dois bispos deverão trabalhar sob a autoridade do Administrador Apostólico, que continuará a manter a responsabilidade pela governação da Diocese de Quelimane.
A CEM terminou o seu apelo invocando a protecção da Virgem Maria:
“Que Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Paz, acompanhe o nosso povo e nos ensine a permanecer unidos em Cristo, firmes na fé, perseverantes na caridade e alegres na esperança que não decepciona.”
A mensagem surge três meses depois da morte do Bispo Osório Citora Afonso, enquanto a Igreja Católica em Moçambique continua a pedir o esclarecimento das circunstâncias do assassinato e a responsabilização dos seus autores.


Fonte: ACI Africa
