O presidente do PODEMOS, Albino Forquilha, confirmou que as contas bancárias do partido estão efectivamente bloqueadas por uma decisão judicial, contrariando declarações anteriores em que havia negado ou desvalorizado a existência da medida.
A confirmação surge depois de o Evidências ter noticiado que o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo havia determinado o congelamento das contas bancárias do partido. Segundo a publicação, a decisão já está a ser executada e impede a movimentação financeira das contas abrangidas, situação que poderá manter-se até ao encerramento definitivo do caso.
“Sim, confirmo, as contas estão bloqueadas”, declarou Albino Forquilha, segundo o jornal, sem avançar em detalhes sobre a medida.
Na prática, o bloqueio significa que os valores existentes nas contas abrangidas pela decisão permanecem indisponíveis e não podem ser movimentados normalmente pela direcção do PODEMOS. A situação representa uma limitação financeira para o partido, num momento em que a organização procura manter as suas actividades partidárias, incluindo acções de formação e mobilização política.
Confirmação contrasta com declarações anteriores
A confirmação de Forquilha representa uma mudança em relação à posição assumida anteriormente pelo dirigente, quando procurou afastar a informação sobre a existência de uma medida judicial contra as contas do partido.
O Evidências relata que, depois de ter negado e desvalorizado publicamente a informação inicialmente divulgada pelo jornal, o presidente do PODEMOS acabou por reconhecer que as contas estão congeladas. A situação foi posteriormente corroborada pelo porta-voz do partido, contactado pela publicação.
O congelamento está relacionado com um diferendo envolvendo a utilização dos recursos financeiros do partido e poderá permanecer em vigor até que o processo seja definitivamente encerrado.
Bloqueio ocorre durante programa nacional de formação
A situação financeira surge numa altura em que o PODEMOS iniciou, em Maputo, as Primeiras Reuniões Provinciais de Formação e Planificação.
O programa deverá decorrer de Setembro de 2026 a Janeiro de 2027 e prevê a formação de 3.414 membros do partido em todo o país, abrangendo as 11 províncias e 163 distritos, incluindo distritos municipais, estruturas orgânicas e parlamentares.
O lançamento da iniciativa ocorre, portanto, num contexto de restrição sobre as contas bancárias do partido, o que coloca a execução de um programa de dimensão nacional perante dificuldades financeiras.
Na abertura do ciclo de formação, Forquilha procurou destacar que a avaliação do programa não deve ser feita apenas pelo número de participantes ou de actividades realizadas, mas sobretudo pela capacidade de transformar a formação em competências para o exercício de funções políticas.
Escola do PODEMOS prepara quadros
O plano curricular da Escola do PODEMOS inclui conteúdos relacionados com identidade organizacional, fundamentos ideológicos, princípios doutrinários, compromissos republicanos, governação interna, métodos de acção, gestão de conflitos e financeira, liderança, funcionamento dos órgãos, comunicação, estratégias para redes sociais e o Diálogo Nacional Inclusivo.
Forquilha defendeu igualmente uma cultura interna baseada na unidade de princípios, mas sem exigir uniformidade de pensamento. Segundo a posição apresentada pelo dirigente, a divergência fundamentada e respeitosa deve ser encarada como instrumento de aprendizagem e correcção dentro da organização.
O presidente do PODEMOS defendeu ainda que a formação partidária não deve limitar-se à preparação de militantes para a actividade política, mas contribuir para a formação de cidadãos capazes de assumir funções políticas temporariamente e com responsabilidade.
Assim, o partido inicia um programa nacional de formação de milhares de membros enquanto enfrenta uma restrição judicial que, segundo a informação publicada pelo Evidências e confirmada por Albino Forquilha, mantém as contas bancárias abrangidas pela decisão sem possibilidade de movimentação.
