Uma mulher está a ser acusada pelos enteados de ter levantado, alegadamente sem consultar a família, 30 mil meticais da conta bancária do marido falecido, cerca de dez minutos depois da sua morte.
O caso envolve uma família residente no bairro 7 de Abril, na cidade de Manica, província de Manica.
Segundo os enteados, o homem encontrava-se internado no Hospital Distrital de Manica, onde acabou por morrer. Pouco depois da morte, a madrasta terá enviado um dos seus filhos ao banco para levantar todo o dinheiro disponível na conta do falecido.
Os familiares afirmam que o cartão bancário permanecia na posse da madrasta desde o período em que o marido adoeceu até ao momento da sua morte. Alegam ainda que, durante os três anos em que esteve casada com o falecido, a mulher não teve filhos com ele.
“No momento em que nós, da família, estávamos a chorar pela morte do nosso pai e preocupados em levar o corpo para a morgue, a madrasta estava preocupada em levantar o dinheiro do nosso pai que estava no banco, sem consultar a família”, relatam os enteados.
Levantamento descoberto através do extracto bancário
De acordo com os familiares, o levantamento foi descoberto quando pretendiam utilizar o dinheiro para fazer face às despesas relacionadas com o funeral.
Segundo os enteados, o extracto bancário indicaria que os 30 mil meticais foram levantados aproximadamente dez minutos depois da morte do titular da conta.
Os familiares afirmam também que, inicialmente, a madrasta teria negado que o valor tivesse sido levantado. Acrescentam que o dinheiro não teria sido apresentado à família nem utilizado nas cerimónias fúnebres.
Além dos 30 mil meticais, os familiares acusam ainda a madrasta de ter ficado com outros apoios destinados às despesas do funeral.
Madrasta apresenta outra versão
Contactada pela Rádio Comunitária GESOM, a madrasta confirmou que levantou o dinheiro, mas contestou a versão apresentada pelos enteados.
Segundo a mulher, decidiu retirar o valor porque não confiava nos filhos do falecido. Ela acusa-os de terem tido comportamentos inadequados enquanto o pai ainda estava vivo.
“Os enteados são malandros. Até queriam arrancar o cartão bancário ao pai quando estava em vida. Foi por isso que guardei o cartão e, quando o meu marido faleceu, fui levantar todo o dinheiro porque já sabia que iam tentar tirar-me o cartão de débito”, justificou.
Questionada sobre o destino dos 30 mil meticais, a madrasta afirmou que utilizou o dinheiro para pagar dívidas que o marido tinha contraído junto de credores.
Entretanto, a explicação apresentada pela viúva é contestada pelo irmão mais velho do falecido, que considera que a versão não corresponde à realidade.
Até ao momento, a Rádio Comunitária GESOM não conseguiu confirmar de forma independente se o dinheiro foi efectivamente utilizado para pagar as alegadas dívidas, nem verificar a existência dessas dívidas.
