Execução da única mulher condenada à morte no Tennessee foi marcada por uma situação extraordinária depois de a prisioneira continuar a respirar e a emitir sons após duas administrações de pentobarbital.
Christa Pike, única mulher actualmente condenada à morte no estado norte-americano do Tennessee e a primeira mulher a ser executada no estado em mais de 200 anos, sobreviveu às duas doses de pentobarbital administradas durante a execução, segundo testemunhas presentes no procedimento.
O caso levou os advogados da prisioneira a apresentar, na quarta-feira, uma moção de emergência para tentar impedir a execução, depois da tentativa de aplicação do protocolo de injecção letal.
Até ao momento, não havia informação sobre o estado de saúde de Pike.
Execução prolongou-se além do previsto
Jornalistas de vários meios de comunicação norte-americanos que acompanharam a execução relataram que o procedimento se prolongou muito mais do que o inicialmente previsto.
Segundo as testemunhas, Pike permaneceu acordada, falou e cantou juntamente com o seu guia espiritual depois do início da administração do medicamento.
Após a primeira dose, a mulher continuou a apresentar movimentos e a respirar de forma audível.
A jornalista Catherine Sweeney, da emissora WPLN, explicou que o protocolo de execução do Tennessee estabelece a administração inicial de pentobarbital e prevê uma segunda dose caso seja necessário.
As testemunhas disseram que, mesmo depois das duas administrações, Pike continuava a respirar e a emitir sons. Também foram observados roncos fortes e movimentos da cabeça e do pescoço.
Defesa questiona o que acontece depois de duas doses
A situação colocou o caso numa circunstância considerada extraordinária pela defesa.
Os advogados sustentam que Pike sobreviveu às duas doses de pentobarbital e argumentam que o protocolo do estado do Tennessee não estabelece claramente o procedimento a seguir numa situação em que a pessoa submetida à injecção letal não morre após as duas administrações previstas.
Por esse motivo, a defesa apresentou uma moção de emergência para tentar impedir o prosseguimento da execução.
Supremo dos EUA levantou suspensão
A execução foi retomada depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter levantado uma suspensão que havia sido decretada horas antes por um tribunal federal de recurso.
O caso ganhou assim uma dimensão jurídica adicional, enquanto os advogados de Pike procuram impedir que o procedimento avance após a falha das duas administrações de pentobarbital.
Condenada por homicídio cometido em 1995
Christa Pike foi condenada à morte em 1996, pelo homicídio de Colleen Slemmer, cometido em 1995.
Slemmer tinha 19 anos e era colega de Pike num programa de formação profissional denominado Job Corps, em Knoxville.
Pike tinha 19 anos quando cometeu o homicídio juntamente com o então namorado, Tadaryl Shipp.
Shipp acabou condenado a prisão perpétua, uma vez que era menor de idade na altura do crime.
Christa Pike permanece no corredor da morte do Tennessee desde Março de 1996.
Fonte: Lusa, 1 de Outubro de 2026.
