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Salim Valá acredita em “boas notícias” nas negociações de Moçambique com o FMI

O Governo moçambicano espera chegar, nos próximos tempos, a um entendimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a implementação de um novo programa de apoio financeiro. As autoridades acreditam que um eventual acordo poderá, além de disponibilizar recursos ao país, reforçar a confiança de outros parceiros e financiadores internacionais.

A expectativa foi manifestada esta quarta-feira, 7 de Outubro, em Maputo, pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, à margem da 2.ª Conferência Nacional de Financiamento Climático, segundo a Lusa.

“É vital porque não só tem que ver com os recursos que [o FMI] pode canalizar, mas também com o sinal que transmite ao nível de outras instituições e parceiros financeiros. Acreditamos que vamos ter boas notícias a breve trecho”, afirmou Salim Valá.

Governo espera acordo antes do fim do ano

Moçambique e o FMI encontram-se actualmente em negociações para um novo programa de apoio, depois de uma missão técnica da instituição ter estado no país durante o mês de Setembro.

O Executivo espera que seja possível alcançar um entendimento formal com o Fundo antes do final de 2026.

Para o Governo, a importância de um eventual acordo não está apenas nos recursos financeiros que poderão ser disponibilizados directamente pelo FMI. O entendimento poderá também funcionar como um sinal positivo para outras instituições financeiras e parceiros internacionais que apoiam o desenvolvimento de Moçambique.

Recursos continuam abaixo das necessidades

Salim Valá reconheceu, contudo, que os recursos actualmente disponíveis continuam a ser insuficientes para responder às necessidades de investimento do país.

Segundo o ministro, esta pressão sobre os recursos foi agravada pelos efeitos dos choques climáticos, particularmente pelas fortes cheias registadas em Janeiro de 2026.

“Os recursos não são ainda suficientes para aquilo que são as necessidades de investimento, mesmo tendo em conta que, em Janeiro de 2026, o País sofreu fortes cheias que afectaram muito a zona Sul e a zona Centro”, explicou.

As cheias provocaram impactos significativos em várias zonas do país, aumentando as necessidades de investimento e recuperação numa altura em que o Governo procura recursos para financiar diferentes prioridades de desenvolvimento.

Ministro reconhece recuperação, mas considera crescimento “frágil”

Apesar das dificuldades, o ministro da Planificação e Desenvolvimento destacou alguns sinais de recuperação da economia moçambicana.

Salim Valá, entretanto, considerou que o crescimento económico continua “frágil” e defendeu a necessidade de uma expansão mais forte e sustentável.

Para alcançar esse objectivo, apontou para a importância do aumento da produção de bens e serviços, do maior dinamismo das empresas e do alargamento da base tributária.

Segundo o governante, uma economia que cresça de forma sustentável terá maior capacidade para gerar receitas internas e, consequentemente, financiar as prioridades de desenvolvimento.

“O crescimento económico sustentável é aquilo que permite gerar mais receitas para financiar as prioridades de desenvolvimento”, afirmou.

Negociações com o FMI continuam

Depois de uma missão de dez dias em Maputo, realizada em Setembro, o chefe da delegação do FMI, Pablo López Murphy, indicou que as discussões sobre as reformas consideradas necessárias para permitir a implementação de um novo programa apoiado pelo Fundo continuariam nos meses seguintes.

Na mesma ocasião, o Ministério das Finanças informou que Moçambique e o FMI tinham iniciado discussões sobre um possível programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada (ECF, na sigla em inglês).

A ECF é um mecanismo de financiamento concessional destinado a apoiar países de baixo rendimento.

Nova missão prevista para Novembro

No âmbito do processo de negociação, está prevista uma nova missão do FMI em Moçambique em Novembro.

A missão deverá servir para discutir as condições, os indicadores e as metas que poderão integrar o eventual programa de apoio financeiro ao país.

Assim, o Governo mantém a expectativa de que as negociações avancem nas próximas semanas e que seja possível chegar a um entendimento com o FMI ainda este ano.

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