A ExxonMobil iniciou o recrutamento de mão-de-obra moçambicana para o futuro projecto de gás natural liquefeito (GNL) Rovuma LNG, na província de Cabo Delgado. Nesta primeira fase, a empresa pretende seleccionar 50 técnicos de operações e manutenção e contratar 29 engenheiros nacionais de diferentes especialidades, numa altura em que o empreendimento avança nos preparativos para a Decisão Final de Investimento (FID), prevista para 2026.
Segundo o Director-Geral da ExxonMobil Moçambique, Arne Gibbs, o processo marca o início da preparação dos profissionais que deverão trabalhar na futura infra-estrutura de gás.
“Para preparar para o futuro deste projecto, nós vamos começar a contratar os trabalhadores, os operadores do Rovuma LNG”, afirmou o responsável, acrescentando que os primeiros 50 técnicos representam apenas o início do programa de formação.
Recrutamento dos técnicos decorre até Novembro
A selecção para o Programa de Formação de Técnicos de Operações e Manutenção começou a 7 de Outubro e termina a 6 de Novembro de 2026.
Os candidatos devem ter concluído o ensino secundário, apresentar bom desempenho em Matemática e nas disciplinas de Ciências e estar disponíveis para trabalhar em locais remotos.
Os candidatos seleccionados receberão formação num centro ligado ao Rovuma LNG, em Maputo, com alojamento e alimentação assegurados durante o período de preparação.
Paralelamente, a ExxonMobil abriu vagas para 29 engenheiros moçambicanos. Para concorrer, é necessário possuir licenciatura em Engenharia, ser cidadão moçambicano, ter passaporte válido, dominar as línguas portuguesa e inglesa e estar disponível para mobilidade internacional.
O programa de desenvolvimento profissional dos engenheiros prevê dois períodos de formação no estrangeiro, antes de uma eventual colocação em Cabo Delgado ou Maputo.
Arne Gibbs reiterou que os primeiros formandos constituem apenas a etapa inicial do processo.
“Estes 50 são só o início. É o primeiro grupo que vai ser formado”, declarou.
Centro de formação poderá receber investimento de 40 milhões de dólares
Os parceiros da Área 4 estimam investir cerca de 40 milhões de dólares na criação de um centro de formação especializado, destinado a responder às necessidades actuais e futuras da indústria de petróleo e gás em Moçambique.
A estrutura deverá preparar profissionais em áreas como electricidade, mecânica, instrumentação e operações, contribuindo para a formação de quadros nacionais com competências técnicas adequadas às exigências do sector.
A antecipação da formação pretende preparar trabalhadores antes do início da operação do projecto. As actividades de GNL exigem conhecimentos especializados, certificações, experiência industrial e cumprimento de elevados padrões de segurança.
Embora o número inicial de vagas seja reduzido quando comparado com as necessidades globais do empreendimento, o recrutamento estabelece uma ligação directa entre os preparativos do investimento e a capacitação de profissionais moçambicanos.
Projecto prevê 7.500 oportunidades de trabalho para nacionais
As estimativas da ExxonMobil apontam para cerca de 7.500 oportunidades para moçambicanos durante a fase de execução do Rovuma LNG.
Na fase operacional, o empreendimento deverá empregar aproximadamente 700 trabalhadores.
A diferença entre os dois números está relacionada com as características dos grandes projectos de gás natural liquefeito. Durante a construção, é necessária uma quantidade elevada de mão-de-obra por um período limitado, enquanto a operação requer equipas menores, mas com competências técnicas mais especializadas.
Por isso, a formação profissional será importante para permitir que os trabalhadores nacionais continuem ligados ao projecto para além da fase de construção. O recrutamento de técnicos de operações e manutenção e de engenheiros incide precisamente sobre categorias profissionais necessárias durante a futura operação.
Cerca de 1,1 mil milhões de dólares já adjudicados em contratos
O anúncio do recrutamento surge numa fase em que o Rovuma LNG regista avanços contratuais antes da Decisão Final de Investimento.
Em Agosto, os parceiros da Área 4 adjudicaram aproximadamente 1,1 mil milhões de dólares em contratos pré-investimento, destinados à aquisição de equipamentos críticos de longo prazo e à realização de actividades preparatórias de construção.
Os contratos incluem sistemas de produção submarina, válvulas de grande diâmetro e fornecimento de tubos para infra-estruturas offshore.
No mesmo período, a ExxonMobil seleccionou o consórcio SMDC, constituído pelas empresas Saipem, McDermott, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para prestar serviços de engenharia e aprovisionamento relacionados com a componente midstream.
Em Setembro, os parceiros da Área 4 seleccionaram igualmente a Saipem e a Jan De Nul para o contrato de engenharia, aprovisionamento, construção e instalação da componente upstream.
Foram ainda adjudicados serviços de base logística a duas empresas moçambicanas: a CFM Logistics e o Alistair Group Mozambique.
Conteúdo local abrange empresas e trabalhadores nacionais
A adjudicação de contratos a empresas moçambicanas e o início do recrutamento demonstram duas vertentes do conteúdo local no Rovuma LNG.
A primeira consiste na participação das empresas nacionais na cadeia de fornecimento do projecto. A segunda passa pela formação de trabalhadores e engenheiros capazes de ocupar funções técnicas durante a execução e, sobretudo, na fase operacional.
A ExxonMobil estima que o empreendimento poderá gerar cerca de 6 mil milhões de dólares em investimentos e despesas na economia moçambicana durante a sua implementação.
O impacto efectivo desse montante dependerá da parcela absorvida pelas empresas, trabalhadores, fornecedores e prestadores de serviços nacionais.
Neste contexto, a formação, a certificação profissional, a capacidade das empresas locais e o acesso aos contratos serão factores determinantes para a retenção de valor na economia moçambicana.
Decisão Final de Investimento continua prevista para 2026
A ExxonMobil mantém a previsão de anunciar a Decisão Final de Investimento do Rovuma LNG ainda em 2026. Arne Gibbs afirmou que o projecto se encontra numa fase avançada de preparação.
“Neste momento, nós estamos na fase final e bem logo vamos anunciar a decisão final de investimento”, declarou.
A Fase 1 do empreendimento está estruturada para produzir 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano, através de 12 módulos de liquefacção. O início da produção está previsto para 2031.
A empresa considera que o Rovuma LNG poderá tornar-se o maior investimento privado da história de África.
ExxonMobil projecta mais de 150 mil milhões de dólares em receitas e valor económico
De acordo com estimativas divulgadas pela ExxonMobil, o Rovuma LNG poderá gerar mais de 150 mil milhões de dólares em receitas e valor económico para o Governo de Moçambique ao longo de 30 anos, excluindo a participação da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
A companhia estima ainda cerca de 6 mil milhões de dólares em despesas na economia moçambicana durante a implementação do projecto.
Um estudo macroeconómico citado pela empresa aponta igualmente para um potencial aumento de aproximadamente 11 mil milhões de dólares por ano no Produto Interno Bruto (PIB).
A ExxonMobil ressalva, através das suas projecções, que os resultados dependerão da concretização do investimento, do início da produção, das condições comerciais do empreendimento e da evolução do mercado internacional de gás natural liquefeito durante o período de exploração.
Formação de quadros nacionais ganha importância no sector do gás
O início do recrutamento antes da Decisão Final de Investimento representa um novo passo na preparação do Rovuma LNG. Depois da adjudicação de contratos de engenharia, equipamentos, logística e serviços especializados, o projecto começa a estruturar a força de trabalho necessária à futura operação.
A selecção dos primeiros 50 técnicos de operações e manutenção e de 29 engenheiros moçambicanos assinala o começo de um processo que deverá acompanhar o desenvolvimento do empreendimento.
A evolução dos programas de formação permitirá avaliar a expansão da capacitação profissional e a integração progressiva de quadros nacionais nas diferentes fases do projecto, cuja entrada em produção está prevista para 2031.
