Maputo – O Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se esta quinta-feira (10), na capital moçambicana, com o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, para debater os próximos passos no processo de reativação do megaprojeto de gás natural liquefeito (GNL), localizado na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.
O encontro, confirmado por fontes próximas à empresa petrolífera francesa e divulgado pela agência Lusa, ocorreu num momento em que empresas contratadas começam a receber orientações para retomar operações na península de Afungi, no distrito de Palma, sinalizando o possível reinício das obras.
Recentemente, o Presidente Chapo defendeu publicamente que a TotalEnergies deve suspender a cláusula de força maior, imposta em 2021 após o agravamento dos ataques terroristas na província de Cabo Delgado. Segundo o Chefe de Estado, este é um passo essencial para o avanço real do projeto.
“O mais importante agora é levantar a cláusula de força maior e dar início aos trabalhos. Assinar um plano de desenvolvimento sem isso é apenas simbólico”, afirmou Chapo.
Por sua vez, Pouyanné reiterou o compromisso da TotalEnergies em retomar o projeto nos próximos meses, durante um discurso na Cimeira de Energia do Japão, realizada em junho, em Tóquio. Ele reafirmou a intenção da empresa de avançar com o investimento, avaliado em aproximadamente 20 mil milhões de dólares.
A reativação do Mozambique LNG está a ser impulsionada pela melhoria da segurança em Cabo Delgado, graças às ações conjuntas das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, da SADC e de tropas do Ruanda. A TotalEnergies também destacou o diálogo contínuo com o Governo para garantir uma retomada segura e sustentável.
Além do reforço da segurança, fatores financeiros também influenciam o avanço do projeto. Em março deste ano, o US ExIm Bank, dos Estados Unidos, reconfirmou um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares, e um novo financiamento de 7 mil milhões de dólares encontra-se em análise por instituições financeiras americanas.
O projeto Mozambique LNG é um dos maiores empreendimentos de gás natural em África. Na sua fase inicial, está projetado para atingir uma capacidade anual de 12,8 milhões de toneladas de GNL. O plano envolve o desenvolvimento dos campos Golfinho e Atum, e a construção de uma unidade de liquefação com duas linhas de produção.
A Área 1, operada pela Total E&P Mozambique Area 1, Ltd., possui mais de 60 trilhões de pés cúbicos (Tcf) de recursos de gás, dos quais 18 Tcf serão utilizados nas primeiras duas unidades de produção.
A estrutura acionista do projeto inclui, além da TotalEnergies (26,5%), as seguintes entidades: ENH Rovuma Area 1 S.A. (15%), Mitsui E&P Mozambique Area 1 Ltd. (20%), ONGC Videsh Rovuma Ltd. (10%), Beas Rovuma Energy Mozambique Ltd. (10%), BPRL Ventures Mozambique B.V. (10%) e PTTEP Mozambique Area 1 Ltd. (8,5%).
O relançamento do projeto é visto como um marco estratégico para o futuro energético de Moçambique, com potencial para gerar receitas significativas, atrair investimentos e posicionar o país entre os grandes exportadores globais de gás natural.
