O Campeonato do Mundo de 2026 arranca oficialmente na quinta-feira, às 20h00 (hora de Portugal Continental), no Estádio Azteca, com o encontro entre o México e a África do Sul. Porém, a primeira grande polémica da competição já está instalada, e tem como figura central Omar Abdulkadir Artan.
Aos 34 anos, o árbitro somali estava prestes a tornar-se no primeiro juiz do seu país a marcar presença numa fase final do Mundial. O sonho, contudo, ficou por concretizar: Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos da América, um dos países anfitriões da competição a par do México e do Canadá.
Esta quarta-feira, um elemento da administração de Donald Trump, que optou por permanecer no anonimato, revelou à estação televisiva norte-americana ESPN que a decisão de barrar a entrada do melhor árbitro africano de 2025 assentou na alegada “associação a membros suspeitos de pertencerem a organizações terroristas”. Quem assumiu publicamente a posição foi Andrew Giuliani, responsável pelo grupo de trabalho da Casa Branca para o Mundial 2026, em declarações à BBC: “Ainda que não possa partilhar informações classificadas, posso dizer-vos que foi a decisão correta por parte das autoridades fronteiriças, e apoio-a plenamente.” O responsável acrescentou que o Governo norte-americano não permitirá que um torneio de futebol se torne numa porta de entrada para potenciais terroristas ou para quem mantenha contactos com eles.
Após ter sido sujeito a um interrogatório de 11 horas no Aeroporto Internacional de Miami, Artan foi detido e colocado num voo de regresso a Istambul, sem receber qualquer explicação. Em declarações ao jornal The New York Times, o árbitro natural de Mogadíscio manifestou a sua profunda desilusão: “Estou muito, muito desiludido. Sou, simplesmente, um árbitro que está a tentar viver o seu sonho, o maior sonho da minha vida, que é estar num Mundial.” Artan garantiu que tinha em sua posse os documentos e o visto corretos para entrar no país, e desabafou: “Acho que eles têm um problema com o meu país.” O mesmo jornal refere ainda que a lista de sanções do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA contém um nome semelhante ao do árbitro, associado ao grupo militar somali Al Shabab — organização pela qual Artan terá sido questionado repetidamente durante o interrogatório.
A FIFA confirmou que, perante o sucedido, o nome de Omar Abdulkadir Artan foi retirado da lista de árbitros designados para o Mundial, salientando que a organização não interfere nos procedimentos de imigração dos países anfitriões, incluindo a concessão de vistos, mas exigiu explicações às autoridades norte-americanas.
O Ministério da Juventude e Desporto da Somália informou estar a tratar do assunto por via diplomática, classificando toda a situação como “lamentável” e recordando que o árbitro “sempre representou o país e o desporto somali com profissionalismo”.
