Helicópteros do governo maliano desembarcaram recentemente na mina Loulo-Gounkoto, operada pela gigante canadense Barrick Gold, e confiscaram mais de uma tonelada de ouro avaliada em cerca de 117 milhões de dólares. A ação, realizada sem aviso prévio, representa mais um capítulo na crescente tensão entre o país africano e a maior mineradora de ouro do mundo.
A operação soma-se à apreensão anterior de três toneladas do metal realizada em janeiro deste ano. As autoridades do Mali não informaram o destino das barras apreendidas. Desde o início de 2023, o governo de transição, liderado por militares, intensificou a pressão sobre empresas estrangeiras com novas exigências fiscais e mudanças legislativas que aumentam os royalties e a participação estatal em empreendimentos de mineração.
Como resposta, a Barrick Gold acionou mecanismos legais internacionais e está em curso um processo de arbitragem contra o Estado malinês. A primeira audiência está marcada para o fim de julho. Segundo o CEO da companhia, Mark Bristow, a empresa está empenhada em resolver o impasse dentro dos termos estabelecidos pelos acordos de mineração anteriormente firmados com o governo local.
O complexo Loulo-Gounkoto, um dos mais produtivos do Mali, foi encerrado temporariamente no início de 2025, após a suspensão das exportações de ouro por parte do governo e a detenção de altos funcionários da mineradora. Desde junho, a mina encontra-se sob administração provisória, com um gestor designado pelo Estado.
Enquanto empresas como a Allied Gold Corp. e a B2Gold chegaram a acordos com o governo maliano para manter suas operações, a Barrick segue mantendo sua posição de confronto legal. O caso evidencia os desafios enfrentados por multinacionais em países com instabilidade política e regulatória, e levanta preocupações sobre o futuro do investimento estrangeiro no setor mineral do Mali.
