Régio Conrado elogia Assa Matusse e critica Lourena & Matilde: “Só andam a abanar bundas”

MAPUTO – Durante a sua recente participação no programa “Ponto Jovem”, da plataforma “Feedback Juvenil”, o académico e professor Régio Conrado lançou duras críticas ao estado atual do consumo cultural da juventude moçambicana. Num debate aceso sobre a identidade artística nacional, Conrado lamentou o que descreveu como uma “banalização” dos gostos musicais e o distanciamento das raízes do país.

​O Embate entre o Entretenimento e a Estética

​O académico direcionou críticas frontais a figuras de grande popularidade, como Lourena Nhate e Matilde Conjo. Segundo o professor, o trabalho destas artistas é um exemplo da ausência de “estética musical”, argumentando que o foco está excessivamente centrado no apelo visual e na performance física — mencionando que “só andam a abanar bundas” — em detrimento de uma construção sonora elaborada.

​Para Conrado, a juventude tem sido seduzida pelo entretenimento imediato e por conteúdos superficiais das redes sociais, ignorando produções que exigem maior profundidade artística e estética.

​O Elogio à Qualidade e o Resgate da Identidade

​Em contrapartida à vaga comercial, o professor destacou nomes que, na sua visão, mantêm o rigor e a excelência da música moçambicana. Artistas como Assa Matusse e Onésia Muholove foram alvo de rasgados elogios pelo seu trabalho técnico, com destaque para a qualidade sonora, o uso da percussão e a preservação de uma estética musical elevada.

​Alerta para o “Apagão” Cultural

​Para além das críticas ao mercado atual, Régio Conrado manifestou uma profunda preocupação com o desconhecimento histórico das novas gerações. O académico apontou como uma lacuna grave o facto de muitos jovens ignorarem o legado de figuras fundamentais da cultura nacional, tais como:

  • Chico António
  • José Mucavel
  • Rosália Mboa

​Na sua ótica, este desconhecimento não é apenas uma falha educativa, mas um sinal preocupante para a construção da identidade cultural de Moçambique.

​O posicionamento do professor reabre o debate público sobre os limites entre a inovação artística e a preservação do património cultural, questionando se o sucesso comercial deve sobrepor-se à qualidade e à memória histórica da nação.

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