Tragédia em Chimoio: Parturiente morre após parteira exigir suborno para garantir atendimento

Na madrugada de segunda-feira, dia 8, Fátima Joaquim Chuva, de 36 anos, faleceu na cidade de Chimoio, província de Manica, na sequência de complicações durante o trabalho de parto. A tragédia, ocorrida no Centro de Saúde 7 de Abril, levanta graves suspeitas de negligência médica e cobrança indevida de valores.

​Conforme o relato do marido da vítima, a equipe de saúde plantonista alegou não possuir os insumos básicos para realizar o parto. Para que Fátima fosse atendida, os profissionais teriam exigido que a família comprasse luvas e pagasse um valor em dinheiro. O esposo afirma ter desembolsado 800 meticais no total: 300 destinados à aquisição das luvas e 500 como uma exigência de suborno feita pela parteira.

​A denúncia aponta que, mesmo com o pagamento efetuado, o socorro demorou a chegar. A assistência teria começado apenas quando a paciente já estava inconsciente e o recém-nascido praticamente fora do útero. Fátima sofreu uma hemorragia severa, apesar de estar nas dependências de uma maternidade, e precisou ser transferida às pressas, por volta das 4 horas da manhã, para o Hospital Provincial de Chimoio. Infelizmente, ela faleceu logo após dar entrada na unidade.

​O viúvo revelou ainda que a parteira, ao constatar a gravidade do quadro clínico da paciente, decidiu devolver 200 meticais, retendo 600 dos 800 meticais inicialmente cobrados. Ele também levantou dúvidas sobre a real indisponibilidade de materiais, uma vez que as luvas apareceram poucos minutos após a entrega do dinheiro, num horário em que todas as farmácias da região já estavam fechadas.

​Na quinta-feira, 11 de junho, a Rádio Comunitária GESOM buscou a direção do Centro de Saúde 7 de Abril para obter uma posição oficial. A diretora da unidade, no entanto, recusou-se a prestar declarações à imprensa, afirmando que só falaria sobre o caso com a presença do viúvo denunciante e da equipe médica responsável pelo plantão daquele dia.

​A morte de Fátima gerou forte comoção e revolta popular. Familiares e moradores da comunidade exigem agora que as autoridades de saúde investiguem o caso e prestem os devidos esclarecimentos sobre as circunstâncias que culminaram no óbito da parturiente.

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