Maputo, 14 de julho de 2025 – O presidente da Comissão de Gestão das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), o sérvio Dane Kondic, vai continuar à frente da companhia aérea em regime de exclusividade, apesar de ter sido recentemente nomeado para um cargo não executivo na Air Botswana. A decisão foi confirmada oficialmente pelo Conselho de Administração da LAM, após rumores sobre um possível conflito de interesses entre os dois cargos.
A confirmação surge no contexto da reestruturação profunda da LAM, iniciada em maio deste ano pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), que afastou a anterior administração da companhia e implementou uma nova Comissão de Gestão. A iniciativa insere-se num plano mais amplo de revitalização das empresas públicas moçambicanas, com foco em transparência, eficiência e recuperação financeira.
Durante uma reunião extraordinária realizada no dia 29 de junho, o Conselho determinou que Kondic deve dedicar-se exclusivamente à liderança da LAM, decisão que foi aceite pelo próprio gestor. A garantia de exclusividade foi vista como uma medida para evitar qualquer interferência de interesses, especialmente considerando que ambas as companhias operam na mesma região da África Austral.
Dane Kondic já havia liderado reestruturações em outras empresas do setor aéreo e, segundo as autoridades, sua nomeação visa aplicar boas práticas de gestão e melhorar os indicadores operacionais da transportadora nacional, que há anos enfrenta dificuldades financeiras. Com o apoio de três empresas estatais moçambicanas — Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) — como novos acionistas, a LAM aposta em uma gestão corporativa mais moderna e resiliente.
O Presidente da República, Daniel Chapo, comentou a situação, reiterando o compromisso do Governo em reformar o setor empresarial do Estado, com foco na responsabilização de gestores públicos. Durante uma recente intervenção, Chapo criticou os que chamou de “raposas e corruptos” dentro da LAM, acusando-os de sabotar esforços para aquisição de novas aeronaves e o bom funcionamento da companhia. O chefe de Estado sublinhou que este processo de reestruturação é apenas o início, e que outras empresas públicas deficitárias serão alvo de reformas semelhantes.
Além disso, o Governo determinou a realização de uma auditoria forense às contas da LAM relativas aos últimos dez anos. O objetivo é apurar responsabilidades sobre os prejuízos acumulados, as más decisões financeiras e eventuais casos de corrupção que contribuíram para o colapso da transportadora.
A manutenção de Dane Kondic à frente da LAM, agora com foco exclusivo, é vista como uma tentativa de resgatar a credibilidade da companhia e torná-la competitiva no cenário regional. A sociedade civil, os parceiros internacionais e analistas económicos acompanham com expectativa os próximos passos desta reforma, considerada uma das mais importantes dos últimos anos no setor das empresas públicas em Moçambique.
